Pedalando pelo GR28

A serra a arder perto do Merujal, 07 de Agosto de 2010.

Serra do Gerês

Caminhando entre Garranos, de 07 a 08 de Maio de 2005.

Serra de São Macário

Escalada na Pena, 15 de Setembro de 2013.

Serra da Estrela

I Travessia em autonomia total - Guarda - Loriga, de 12 a 16 de Abril de 2004.

Linha do Dão - Ponte de Nagoselas

Travessia BTT pelas Linhas do Dão e Vouga, de 09 a 11 de Abril de 2009.

Caminhos de Santiago

Travessia do Rio Lires no Caminho de Finisterra, de 29 a 31 de Julho de 2010.

Serra de Montemuro

Nas Minas de Moimenta, 29 de Janeiro de 2011.

Linha do Corgo - Ponte do Tanha

Travessia da Linha do Corgo, de 06 a 10 de Outubro de 2013.

Serra do Caramulo

Nas neves do Caramulo com vista para a Serra da Estrela, 04 de Dezembro de 2010.

Aldeias Históricas

De BTT em autonomia total pelo GR22, de 28 de Abril a 01 de Maio de 2006.

Serra de São Macário - Da Pena a Covas do Monte...

15/10/2017

Serra de São Macário: Da Pena a Covas do Monte




Foi a mais concorrida actividade dos últimos tempos, com a presença de 24 caminhantes, vindos de Aveiro, Porto, Ovar e Lourosa.

Começámos na Aldeia da Pena, já bastante atrasados em relação ao previsto, devido a um rali que decorria perto do Merujal e que bloqueou a estrada por mais de 1 hora.

Este percurso tinha sido percorrido, na última vez, em Novembro de 2015 e por isso sabíamos bem qual a dificuldade que iriamos encontrar. Preocupava-nos o facto do grupo ser tão grande o que normalmente leva a diversos problemas.

Iniciámos o percurso no sentido na bonita aldeia da Pena seguindo na direcção de Covas do Rio, seguindo o percurso conhecido pelo "caminho onde o morto matou o vivo”.

A descida, íngreme, pelas margens da Ribeira da Pena, continua a ser desafiante e bastante interessante. Infelizmente e à semelhança de todo o país, devido à seca, a ribeira tinha pouca água.

Uma pequena paragem em Covas do Rio, para reagrupar e descansar, e lá partimos em direcção a Covas do Monte, percorrendo diversos trilhos até chegarmos ao estradão que nos levou à aldeia. 

Depois de percorrermos a povoação iniciámos a difícil subida em direcção à aldeia da Pena. O calor apertava e a subida fez mossa em diversos elementos que resolveram, por bem, regressar a Covas do Monte e aí aguardar. O almoço estava marcado na antiga escola de Covas do Monte, agora restaurante, pelo que no regresso reuniamo-nos lá.

Com menor ou maior dificuldade os restantes chegaram à estrada e iniciaram o regresso à aldeia da Pena, pelo trilho a meia encosta que proporciona vistas relaxantes sobre as serras envolventes.

Passámos perto do trilho que leva às paredes de escalada e combinámos que lá iríamos voltar mais cedo ou mais tarde.

Já na Pena metemo-nos nos carros e dirigimo-nos à escola/restaurante de Covas do Monte onde, para além dos companheiros que por lá aguardavam, encontrámos um belo dum cabrito e uns bifes que nos deliciaram.

Excelente jornada esta partilhada com um grupo de gente em muito boa forma!

Francisco Soares

07/09/2017

Sanabria: Pelo Canhão do Tera


Devido a ir participar noutro evento local, o Amaral propôs-nos realizar a caminhada pelo Canhão do Tera em Sanabria, percurso que ainda nos faltava percorrer.

A actividade, realizada no sábado de 12 de Agosto, teve larga participação, contando com os seguintes elementos: Sãozita, Sara, Patrícia, Diana, Amaral, Pina Jorge, Francisco, DJ, Zé Figueiredo e esposa, a Luz, que apenas acompanhou o marido em passeio.
A reunião decorreu na sexta-feira durante o jantar no Don Pepe. Após a refeição deslocámo-nos até ao pub Pilas na Mesquita onde esperámos pelo Amaral que tinha estado em reunião com os companheiros da caça.
Eram 8,30h quando partimos para Ribedelago Viejo, onde deixámos os carros, e iniciámo o percurso, composto de dois trilhos diferentes que permitem tornar o mesmo circular. O trilho do Cañon del Tera acaba perto de S. Martin de Castañeda onde passamos para a Senda dos Monges, caminho que os monges do Convento de Santa Maria usavam para se deslocar a Ribadelago.
No percurso principal, atendendo a época do ano em que nos encontramos, o rio não tem grande caudal mas em 1959 o rio causou uma grande catástrofe que a seguir se relata:
“Construída entre 1954 e 1956, a barragem de Vega de Tera, com 200 metros de comprimento e 33 de altura, foi inaugurada por Francisco Franco em 25 de Setembro de 1956. Esta barragem teve uma vida curtíssima: em 1959, fortes chuvas e temperaturas extremas (-18 °C) abateram-se sobre a Serra de Peña Trevinca. Estas condições, aliadas à muita água acumulada na albufeira da barragem, levaram a que uma brecha de 70 metros de comprimento e 30 de altura se abrisse, deixando que uma torrente de 8 mil milhões de litros de água se abatessem pelo desfiladeiro do rio Tera. Os oito quilómetros do desfiladeiro foram ultrapassados pela água, lama, rochas e árvores da torrente em 20 minutos. Pelo caminho, a aldeia de Ribadelago foi apanhada desprevenida, resultando da imensa torrente a destruição de 145 das 170 habitações que existiam, e a morte de 144 habitantes que não conseguiram refugiar-se em pontos altos. A corrente chegou a atingir nove metros de altura.
Apenas 28 corpos foram resgatados, os restantes desapareceram para sempre no fundo do Lago de Sanábria, onde a imensa torrente desembocou logo a seguir à destruição de Ribadelago.
A aldeia foi reconstruída, sendo hoje bem visíveis testemunhos da noite fatídica: ruínas de casas e da igreja matriz, a par da estrutura da barragem, a montante, no silêncio da serra.”
Fonte: Wikipedia
Voltando ao trajecto este é simplesmente lindíssimo, inclui muitos pontos de interesse junto do curso de água, com diversas lagoas, quedas de água e vegetação que levaram os caminhantes a dar por bem empregue o tempo que ali estavam a passar.
Algumas subidas íngremes, em escalada ligeira não desmotivaram os participantes, na longa subida até aos 1791 m de cota máxima.
Um pouco antes deste pico, e por indicação de outros caminhantes que por nós passaram, desviámos um pouco do trilho e fomos até uma bonita lagoa onde alguns de nós aproveitaram para tomar banho.
Retomado o trilho, continuámos a subir e passámos por alguns abrigos de montanha; o calor começava a apertar e as paragens eram mais frequentes para hidratação e para reagrupar.
No final deste primeiro trilho andámos um bocado por alcatrão que fervia, até encontrarmos o dito Trilho dos Monges, uma longa e penosa descida, por vezes acentuada, que fez as suas mossas.
O grande final foi num bar junto ao Lago de Sanabria onde as cervejas, servidas em canecas “mesmo” geladas, fizeram explodir sorrisos e exclamações de satisfação.
A repetir? Não sei, mas desde a primeira vez que fui para aqueles lados fiquei fã dos percursos naquela zona, pelo que é bem provável.

Francisco Soares

02/08/2017

Por trilhos de Sanabria


6ª feira dia 21/Jul - Barjacoba

Como eu e o DJ fomos com um dia de antecedência. relativamente aos outros parceiros de caminhada, resolvemos fazer na 6ª feira, dia 21 de Julho, um pequeno percurso para nos ambientarmos à montanha. Escolhemos um que não fosse muito difícil, em termos físicos, mas que trouxesse algo de novo em termos de beleza natural uma vez que o lago e as montanhas em redor proporcionam belas paisagens.

Num livro adquirido na última visita à zona, em Abril, descobrimos um caminho rural que partia de uma pequena aldeia, de nome Barjacoba e que parecia interessante. Dirigimo-nos para lá bem cedo e iniciámos o dito percurso. Este tem alguns troços coincidentes com a grande rota (GR) que circunda a zona dos lagos.

No percurso surgiram-nos duas placas, uma  indicativa do circuito aconselhado para os anos pares e outra para os anos ímpares.  Como estamos em 2017 seguimos na direcção indicada pela placa dos anos ímpares.

A primeira dificuldade no caminho apareceu-nos na forma de um enorme bovino que impedia a passagem. Fomo-nos aproximando devagar e reparámos que havia outros três nas proximidades.

Após algum tempo de espera, "Sua Excelência" resolveu permitir a nossa passagem, saindo do trilho na direcção dos seus companheiros.

Mais à frente começou uma subida, não muito íngreme, e começámos a ver algumas das cumeadas em redor. Ficámos com a sensação de irmos chegar a alguma das várias lagoas (embalses) muito frequentes na zona.

Após vários quilómetros percorridos verificámos que a cada cumeada outra se seguia. Resolvemos então voltar regressar não sem antes avistarmos 2 corsos que com facilidade subiam as encostas, numa dança elegante e fácil, como que a gozar connosco.

A ideia era fazer poucos quilómetros mas mesmo assim ainda assim fizemos cerca de 10,5 Km. No regresso viemos por um caminho diferente da ida no qual, tivemos que desbravar mato, o que deu um certo gozo.

Chegados ao Don Pepe, a residencial onde ficámos, onde fomos agradavelmente surpreendidos quando pedimos uma bifana, dado o tamanho da mesma.

Após o  banho aproveitámos para descansar enquanto esperávamos pelos restantes companheiros. O dia seguinte prometia ser duro.


Sábado, 22 de Julho – Peña Trevinca

O jantar tardio da véspera começou já depois das 22 horas com muitas provas de tinto e chupitos.  

Aos poucos lá se juntou o grupo constituído pela Sãozita, Mário Jorge e Maria do Carmo, Zita e Pina Jorge, Ilda e Amaral, o DJ e eu.

Ficando a Zita e a Ilda  a passear na zona os outros partiram para iniciar a Senda de Montaña 7 – Laguna de los Peces a Peña Trevinca.

No parque de estacionamento da Lagoa dos Peixes já se encontravam alguns carros estacionados o que dava a entender que não éramos os únicos a percorrer aquele trilho.

Durante o caminho fomos ultrapassados por um grupo de jovens vigorosos e um adulto solitário, mas também ultrapassámos um casal com quem nos cruzámos mais vezes durante o percurso.

O percurso começa com uma subida que a certa altura se torna acentuada. No final da mesma começa-se a ver o embalse de Vega del Conde. Descemos para o fabuloso vale glaciar onde, para o fim, se começa a descortinar a Peña Trevinca, lá bem alto.

O entusiasmo dos participantes era bem evidente, apesar alguns julgasse que não iriam conseguir. O vale, com os vários riachos que formam o Rio Tera e com os vários cumes à volta é realmente deslumbrante. O mesmo encontra-se repleto de gado a pastar

A parte final, durante a ascenção ao pico de Peña Trevinca, em 1800 metros de caminho sobem-se 477 metros em altura. O final, quase em escalada junto à escarpa, é bastante exigente.

Nada disto porém nos desmotivou pelo que chegámos todos ao cume e festejámos efusivamente. 

Como era espectável encontravam-se outros grupos no cimo, um deles constituído por 3 portugueses que se identificaram quando nos ouviram falar a mesma língua. 



31/07/2017

Serra da Arada - Trilhos de Água




Desta vez os "Trilhos de Água" foram o nosso destino.

O ponto de encontro foi em Arouca, para o café e nata da praxe, e também para conhecer os "novos recrutas" que a Sílvia convidou para uma primeira aventura connosco. O grupo foi assim formado por: Maria dos Anjos, António, Eva, Regina, Gil e Tiago, além dos(as) já conhecidos(as) Sílvia, Carla, José Figueiredo e eu.

Com início em Regoufe o aquecimento ficou completo no fim da subida entre a Ribeira de Regoufe e o alto de Regoufe, no local onde se faz a bifurcação para Drave ou para o lugar do Pego.  

A descida, por vezes acentuada, encontra-se coberta com uma vegetação rasteira, parecendo algodão, nascida após os recentes incêndios.

A ponte, que ainda no ano  passado estava em mau estado, mas utilizável, encontra-se agora toda queimada sem condições de ser atravessada. A passagem implicou um pequeno desvio para ultrapassar o ribeiro.

No Pego parámos um pouco para ver a casa que ainda sobrevive e descemos até ao Rio Paivô. 

Já no leito do rio, após passarmos a cascata, todos nós munidos com sapatos suplementares para caminhar pelo rio, iniciámos a caminhada. Com água pelo joelho ou um pouco mais alta fomos desfrutando da soberba paisagem que o enquadramento do leito nos proporciona.

Uma das participantes era geóloga e foi-nos presenteando com algumas dicas sobre as pedras que íamos encontrando, dando assim uma mais valia cultural ao passeio.

Após bastante tempo de trajecto, lento, chegámos finalmente a "ponte para lado nenhum" assim baptizada por nós há algum tempo. Esta antiga ponte em xisto suportada por duas enormes vigas de madeira está também ela em ruína.

O banho naquela que é a melhor lagoa do rio foi uma delícia, mas apenas quatro dos elementos foram ao banho. O facto de o tempo estar enevoado inibiu os outros de o fazer. Ficaram sem saber o que perderam, pois a água estava excelente.

Após o banho iniciámos a íngreme subida de regresso a Regoufe. Desta vez sem grandes dificuldades dado o tempo não estar muito quente.

Chegados aos carros era visível, no rosto dos novos participantes, o sorriso do dever cumprido e da satisfação que tiveram pela aventura que tinham acabado de viver.

Como não podia deixar de ser a reposição de calorias foi em Moldes, a contento de todos.

Francisco Soares

Trilho dos 3 Rios




Realizado pela primeira vez no ano passado o Trilho dos 3 Rios (PR2 de Albergaria-a-Velha), pela sua beleza, levou-nos a voltar a percorrer os seus trilhos.

Os caminhantes  foram, para além de mim, o Cardoso, o Amaral e o DJ e, tal como no ano passado, resolvemos começar a actividade em Ribeira de Fráguas.

O início, na direcção ao parque dos Moinhos, é bastante agradável atendendo à presença dos moinhos de água e da abundante vegetação existente nas margens do Rio Fílveda. Durante o percurso passa-se por diversos açudes e cascatas que embelezam o espaço, não deixando ninguém indiferente.

Em Vilarinho de São Roque, onde oficialmente o percurso começa, inicia-se uma subida acentuada e entre eucaliptal, de interesse reduzido. Desta vez estivemos mais atentos para não sairmos do trilho correcto. No ano passado desviámo-nos do percurso o que depois nos obrigou a andar mais um pouco.

Passámos depois por um segundo rio, e na sequência por campos agrícolas, pelo rio Caima e pelas minas do Palhal.

De volta a Ribeira de Fráguas atalhámos caminho evitando a volta pela igreja.

Francisco Soares


18/06/2017

Linhas Ferroviárias Extintas - Linha do Vouga



A Linha do Vouga, originalmente conhecida como Linha do Vale do Vouga e apelidada de Linha do Vale das Voltas devido ao seu sinuoso traçado, é um troço ferroviário português que liga a Linha do Norte, em Espinho, à Linha do Dão, em Viseu, numa extensão de 140 km, e que entronca em Sernada do Vouga com o Ramal de Aveiro. É uma linha de via estreita cuja bitola utilizada em ambos os troços é de 1000 mm.

Situada geograficamente nos distritos de Aveiro e Viseu, esta via-férrea possuía uma extensão total de, aproximadamente, 175 Km (a Linha do Vouga com 140 Km e o Ramal de Aveiro com 35 Km).

A Linha do Vouga atravessa os concelhos de Espinho, Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha, Águeda, São Pedro do Sul e Viseu.

O Ramal de Aveiro contempla o troço de via-férrea que atravessa os concelhos de Águeda e Aveiro.

Hoje apenas subsiste a ligação de Espinho a Sernada do Vouga, continuando os serviços pelo Ramal de Aveiro até à localidade com o mesmo nome.

A Linha do Vouga é actualmente uma linha secundária, registando maior movimento nos troços Aveiro - Águeda e Oliveira de Azeméis - Espinho. Tem ligação à Linha do Norte em Aveiro e Espinho.

Perspectiva-se a inclusão do troço entre Oliveira de Azeméis e Espinho nos urbanos do Porto da CP/Porto. Contudo, a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha é contra o encerramento do troço Oliveira de Azeméis - Sernada do Vouga.

A linha apresenta um perfil acentuado com rampas de declive até 25%, curvas e contra-curvas de raio, por vezes, inferior a 90 metros.

No seu traçado constam inúmeras obras de arte, entre as quais dezanove túneis entre Espinho e Viseu (Linha do Vouga) e um túnel no Ramal de Aveiro. Apresenta, ainda, nove pontes na Linha do Vouga e cinco pontes no Ramal de Aveiro.

Na sua chegada a Viseu a mesma entroncava na Linha do Dão a poucos metros da estação desta cidade.

O Troço Activo (Linha do Vouga)

Estações: Espinho, Espinho-Vouga, Paços de Brandão, Vila da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Pinheiro da Bemposta, Albergaria-a-Velha, Sernada do Vouga.

Apeadeiros: Silvalde-Vouga, Monte de Paramos, Lapa, Sampaio-Oleiros, Rio Meão, São João de Ver, Cavaco, Sanfins, Escapães, Arrifana, Faria, Couto de Cucujães, Santiago de Riba-Ul, Ul, Travanca-Machinata, Figueiredo, Branca, Albergaria-a-Nova, Urgueiras.

Outros: Esta linha conta ainda com dois túneis: o túnel do Minhoto (43 m) e o de Açores (116 m).

O Troço Activo (Ramal de Aveiro)

Estações: Sernada do Vouga, Macinhata do Vouga, Águeda, Eirol, Eixo, Aveiro.

Apeadeiros: Carvalhal da Portela, Valongo-Vouga, Aguieira, Mourisca do Vouga, Águeda, Oronhe, Casal do Álvaro, Cabanões, Travassô, São João de Loure, Esgueira.

Outros: Esta linha conta ainda com cinco pontes e um túnel: o túnel de Eirol (74 m) e as pontes ferroviárias de Azurva (28 m), de Araújo (14 m), do Rio Águeda (64 m), de Marnel (23m) e a ponte rodo-ferroviária de Sernada (173 m).

O Troço Desactivado (Linha do Vouga)

Ao longo da parte actualmente desactivada, de Sernada do Vouga a Viseu, num total de 79,5 km, existiam nove estações, actualmente, apesar de já terem iniciado a recuperação de património, algumas ainda se encontram em ruínas ou mesmo desaparecidas, e dezassete apeadeiros, que se passam a discriminar:

Estações: Paradela, Ribeiradio, Pinheiro de Lafões, Oliveira de Frades, Vouzela, São Pedro do Sul, Bodiosa, Campo e Viseu.

Apeadeiros: Carvoeiro, Foz do Rio Mau, Poço de Santiago, Senhora de Lourosa, Cedrim, Arcozelo das Maias, Quintela, Santa Cruz, Nespereira do Vouga, São Vicente de Lafões, Termas de São Pedro do Sul, Fataunços, Real das Donas, Mocâmedes, Travanca de Bodiosa, Moselos e Abraveses.

Obras de Arte: Nesta linha encontram-se, ainda, várias obras de arte, entre elas, oito pontes e dezassete túneis. As pontes: Ponte Ferroviária sobre o Rio Caima, Ponte Ferroviária do Poço de Santiago, Ponte Ferroviária dos Melos, Ponte Ferroviária de Pinheiro de Lafões, Ponte Ferroviária de Vouzela, Ponte Ferroviária sobre o Rio Zela, à entrada de Vouzela, Ponte Ferroviária das Termas de São Pedro do Sul e Ponte Ferroviária do Pego em São Pedro do Sul. Os túneis: Ródão (29 m), Carvoeira (42 m), Vale Côvo (16 m), Bouço Pedra (60 m), Zebadinho (32 m), Tapada Velha (47 m), Modorno I (34m), Modorno II (45m), Póvoa da Ursa (78 m), Outeirais (25 m), Portela (25 m), Batôco (41 m), Monte Cavalo I (37 m), Monte Cavalo II (33 m), Lamas (25 m), Couraceiro (44 m) e São Miguel do Mato (50 m)

A Ecopista do Vouga

A ecopista de Sever do Vouga resulta da parceria entre o Município de Sever do Vouga e a REFER para a reabilitação da antiga Linha Ferroviária do Vouga, entre Sernada do Vouga e Viseu, correspondente ao troço da antiga Linha do Vouga, hoje parte do Ramal de Viseu.

Começando junto à antiga estação da Paradela, a ecopista segue sempre paralela ao Rio Vouga e à Estrada Nacional 16 até pouco depois da Foz do Rio Mau, no Lugar da Foz. Este percurso é constitído por betuminoso pintado a vermelho.

Em 2013, o percurso entre a Foz do Rio Mau e a estação de Paradela foi prolongado um pouco além do antigo apeadeiro de Cedrim na direcção da estação de Ribeiradio.

Nos restantes Municípios estão a decorrer obras de reconversão, pelo que já é possível percorrer quase toda a antiga via-férrea em bicicleta do tipo BTT.

24/05/2017

Linhas Ferroviárias Extintas - Linha do Sabor


A Linha do Sabor é uma linha ferroviária portuguesa, actualmente extinta, que ligava a estação do Pocinho (Linha do Douro) à estação de Duas Igrejas, em Miranda, nos arredores de Miranda do Douro. Construída de forma faseada, o seu longo atraso na conclusão ditou, por falta de verbas, que nunca chegasse à cidade de Miranda do Douro.

O primeiro troço da Linha do Sabor, entre Pocinho e Carviçais, só foi inaugurado em 1911. A conclusão da linha efectivou-se com a chegada a Duas Igrejas-Miranda, em 1938.

Com uma extensão total de 105,3 km, esta linha de caminho-de-ferro possui a maior rampa ferroviária contínua em Portugal. Na passagem dos 12 km que vão da estação do Pocinho à estação de Torre de Moncorvo vencem-se 280 metros de desnível num traçado sinuoso, razão essa que obrigou a criar a meio do percurso uma paragem técnica na denominada "estação da Gricha", para que as locomotivas a vapor pudessem recuperar pressão e continuar a longa subida.

De Moncorvo até Felgar a rampa continuava, vencendo-se, em 13 km, os 260 metros de desnível, o que perfaz uma rampa contínua de 25 km, vencendo 540 metros de desnível, para que os comboios subissem do Douro, contornassem a Serra do Reboredo e pudessem entrar no longo planalto mirandês.

Além do serviço de transporte de passageiros, o caminho-de-ferro foi igualmente utilizado para efectuar o transporte dos minérios das Minas do Carvalhal (Torre de Moncorvo), do mármore e alabastro de Santo Adrião, de adubos e trigo, e foi, também, o grande responsável pelo escoamento da produção agrícola desta região.

Os serviços ferroviários na Linha do Sabor foram suspensos em 1988.

Património

Estações: Pocinho, Moncorvo, Carviçais, Freixo de Espada à Cinta, Lagoaça, Bruçó, Mogadouro, Variz, Sendim e Duas Igrejas - Miranda.

Apeadeiros: Quinta de Água, Larinho, Zimbro, Quinta Nova, Carvalhal, Cabeço da Mua, Felgar, Souto da Velha, Mós, Fonte do Prado, Macieirinha, Fornos - Sabor, Santa Marta, Vilar de Rei, Sanhoane, Urrós e Fonte de Aldeia.

Pontes: Ponte Rodo-ferroviária do Pocinho.

Ecopista do Sabor

A Ecopista do Sabor é o resultado do aproveitamento da linha de Caminho-de-Ferro, no troço entre Torre de Moncorvo e Carviçais, num total de 24 km de percurso pedestre.

A ecopista está vocacionada para passeios cicloturísticos, pedonais, patins e similares.

A totalidade da via está coberta por sinalização vertical específica, bem como por placards informativos sobre a identificação e localização dos vários espaços da ecopista.

Da ecopista observa-se a paisagem deslumbrante sobre o Vale do Sabor e da Serra do Reboredo, o Convento do Carmelo da Sagrada Família e, na aldeia do Larinho, a antiga estação do Larinho, recuperada e transformada em Cafetaria.

No lugar do Carvalhal podem ser contempladas as antigas minas de ferro, as minas do Carvalhal, e no sopé do Cabeço da Mua, as aldeias de Felgar e Souto da Velha.

16/05/2017

Linhas Ferroviárias Extintas - Linha do Minho


A Linha do Minho é uma ligação ferroviária que une as cidades do Porto e Valença. Primeiro até Barcelos, entre serras e vinhas, e depois segue em direcção ao norte de Viana do Castelo, tendo o Atlântico por companhia e, na fase final, bordejando o rio Minho, entre a respectiva foz e Valença.

Daí para a frente, é possível percorrer a pé ou de bicicleta a ecopista que resultou do aproveitamento da plataforma do antigo troço desactivado da Linha do Minho até Monção.

A Linha do Minho foi inaugurada em 6 de Agosto de 1882 com a chegada a Valença, tendo o troço entre esta estação e Monção sido aberto à exploração em 15 de Julho de 1915 e encerrado a 31 de Dezembro de 1989.

De bitola larga, a Linha do Minho possui, aproximadamente, 134 quilómetros de comprimento.

Fazem parte desta linha as seguintes estações de Caminho-de-Ferro: Porto São Bento, Porto Campanhã, Contumil, Leixões, Rio Tinto, São Gemil, Ermesinde, Leandro, São Romão, Trofa, Lousado, Guimarães, Famalicão, Nine, Braga, Midões, Barcelos, Tamel, Barroselas, Darque, Viana do Castelo, Caminha, Vila Nova de Cerveira, São Pedro da Torre e Valença (Inicio do Ramal de Monção).

Ramal de Monção - Troço Extinto da Linha do Minho

O projecto para o plano estratégico de desenvolvimento da ferrovia a norte do Douro consistia em duas linhas principais, ambas partindo do Porto, em que uma delas seguiria em direcção ao Norte, a Linha do Minho, e outra em direcção a Este, a Linha do Douro.

Destas duas linhas principais, sairiam posteriormente um conjunto muito vasto de linhas, a grande maioria em bitola estreita, que ligariam as cidades do norte do país à ferrovia.

O projecto da Linha do Minho era vital para o desenvolvimento a norte do país, pois faria a ponte entre a região norte de Portugal com o norte de Espanha e, consequentemente, à Europa.

Ficou decidido que o traçado da linha seguiria mais a Oeste, pois as regiões contempladas à sua passagem detinham uma elevada densidade populacional e empresarial.

Este troço de linha férrea de bitola larga, denominação que se dá às ferrovias cuja bitola é maior a 1,435 mm da bitola padrão, com um percurso total de, aproximadamente, 16 km, tinha como pontos de partida/chegada, as cidades de Valença e Monção, passando por Monção (Estação), Senhora da Cabeça (Apeadeiro), Friestas (Apeadeiro), Verdoejo (Apeadeiro), Ganfei (Apeadeiro), Ganfei (Apeadeiro) e Valença (Estação).

Com o encerramento do Ramal de Monção à circulação ferroviária a 1 de Janeiro de 1990, o leito ficou abandonado até que em 2004 os carris deram o lugar à ecopista do Minho na quase totalidade da extensão deste troço (entre Valença e a Senhora da Cabeça, num total de 13 km).

Actualmente a ecopista chega até à estrada que liga à ponte que atravessa o Rio Minho para Espanha, em Monção.

A Ecopista do Rio Minho

Os Municípios de Monção e Valença celebraram protocolos com a Refer para que, em 2004, abrisse ao público uma ecopista que ligasse as duas localidades, destinada ao cicloturismo e a passeios pedonais, aproveitando as antigas linhas ferroviárias desactivadas.

A ecopista do Rio Minho, com uma extensão de, aproximadamente, 16 km, tem como objectivo contribuir para a promoção do desenvolvimento integrado da região, reunindo pontos de interesse histórico/culturais, o turismo, o recreio e o lazer, incentivando à conservação da natureza e valorização dos sistemas naturais existentes. Ao longo do Percurso os painéis de interpretação e toda a sinalética fornecem os elementos necessários para que os seus utentes, na ausência de guias, possam compreender os recursos culturais, naturais e paisagísticos que vão percorrendo.

Património do Ramal de Monção

A ecopista do Rio Minho, na parte que percorre a antiga via ferroviária, começa quase na continuidade da estação de Valença, onde existe um interessante museu ferroviário com belos exemplares de locomotivas e carruagens do tempo do vapor.

Ao longo do percurso do troço encerrado é possível observarem-se alguns viadutos ferroviários, os edifícios das estações, alguns recuperados, bem como o convento de Ganfei e a aldeia que rodeia a medieval Torre da Lapela, já perto de Monção.

Aconselha-se, ainda, a visita às praças-fortes de Valença e Monção, obras-primas da arquitectura militar setecentista, bem como ao mosteiro de Sanfins de Friestas, acessível a pé por meio de um outro trilho.

10/05/2017

Serra da Freita - Nas Veredas do Pastor



No passado Domingo, dia 7 de Maio, resolvemos regressar à Serra da Freita para voltarmos a realizar um percurso que não percorríamos há já alguns anos, o PR3 de Vale de Cambra denominado como "Nas Veredas do Pastor"

O encontro dos caminheiros, num total de 12, foi no café da Frecha da Mizarela. O grupo foi constituído pelo Cardoso, o DJ, eu (Francisco), o Zé Figueiredo, o Pina Jorge, o Quim, o Amaral, a Sãozita, e 4 novos "recrutas", a Miléna, a Patrícia, o Hugo e o Zé.

Tomado o cafezito matinal, seguimos para a povoação do Côvo, que segundo consta é a  mais alta aldeia do Concelho de Vale de Cambra, situada a 930 m de altitude. Lá se iniciou o percurso.

Este percurso  encontra-se bem marcado, encontrando nós por vezes uns novos postes em material reciclado, com a indicação de "Vale Mágico".

Essencialmente o trilho até Agualva é quase em descida permanente o que nos trouxe à lembrança que "tudo o que desce muito paga-se sempre caro mais tarde".

Em Agualva continuámos a descer tendo a beleza da paisagem, principalmente no sítio onde se começa a ver o local da Lomba, aumentado o que nos deixou mais satisfeitos. Por momentos deixámos de pensar na inevitável subida que depois nos aguardava.

Na povoação fomos até à tasca para beber umas cervejolas. Depois descemos até à igreja. Pelo caminho encontrámos o que parece ser uma nova extensão ao percurso original. Esta extensão segue até à Cascata das Porqueiras que nunca visitámos anteriormente. 

O facto da placa indicar que a cascata ainda ficava a 1 km de distância desmotivou um pouco alguns dos participantes pelo que, levou o grupo a não percorrer o trilho. Mesmo a descida à Capela da Nossa Senhora dos Milagres, muito inclinada, já não foi do agrado de todos.

Começou então a longa e penosa subida para o Côvo, com algumas paragens pelo caminho para reagrupar, pois havia ritmos diferentes entre os participantes.

Com maior ou menor dificuldade lá fomos chegando à povoação. Notou-se que ao contrário do que aconteceu durante a descida, as pessoas foram caminhando muito mais caladas. Por que terá sido?

Parece que a Freita está na moda e arranjar lugar nos restaurantes começa a ser difícil.

Francisco Soares



04/05/2017

Linhas Ferroviárias Extintas - Linha do Douro



Linha do Douro é uma linha de Caminho-de-Ferro em Portugal de bitola ibérica (1,67 metros), que ligava Ermesinde a Barca d'Alva, numa extensão de, aproximadamente, 200 Km.

Em grande parte do seu percurso acompanha as margens do Rio Douro, contendo a maior extensão de via-férrea ladeada por água de Portugal, superando mesmo o grande troço ribeirinho da Linha da Beira Baixa (ao longo do Rio Tejo).

Destas duas linhas sairiam um grande conjunto de "linhas secundárias" que as ligariam a quase todas as cidades importantes do Norte do País.

O principal propósito da Linha do Douro foi, além de providenciar transporte para as povoações ao longo da via, transportar igualmente adubos, sementes e outros produtos para o interior e escoar a produção agrícola destas regiões.

A Linha do Douro e a Linha do Minho partilham o mesmo troço até a localidade de Ermesinde, local onde divergem.

Ao longo do seu trajecto a linha contava com vinte e três estações, vinte e sete túneis, trinta e cinco pontes e trinta e dois apeadeiros, que são:

De Ermesinde ao Pocinho - Património da parte activa da Linha

Estações: Ermesinde, Valongo, Recarei-Sobreira, Cête, Penafiel, Caíde, Vila Meã, Marco de Canaveses, Juncal, Mosteirô, Aregos, Ermida, Rede, Godim, Régua, Covelinhas, Pinhão, Tua e o Pocinho.

Apeadeiros: Cabêda (Alfena), Suzão, São Martinho do Campo, Terronhas, Trancoso, Parada, Irivo, Oleiros, Paredes, Santiago, Bustelo, Meinedo, Oliveira, Recesinhos, Pala, Portuzelo, Mirão, Porto de Rei, Caldas de Moledo, Godim, Bagaúste, Gouvinhas, Ferrão, Chanceleiros, Cotas, Castedo, São Mamede do Tua, Alegria, Ferradosa, Vargelas, Vesúvio e Freixo de Numão - Mós do Douro.

Pontes: Sete Arcos, Ferreira, Fervença, Sousa, Vila Meã, Póvoa, Tâmega, Juncal, Cocheca, Quebradas, Pala, Ovil, Portuzelo, Laranjal, Zêzere, Teixeira, Sermenha, Corgo, Pinhão, Roncão, Loureiro, Tua, Riba Longa, Ferradosa, Vargelas, Arnozelo, Teja, Murça, Gonçalo Joanes, Vale do Nedo e o Pocinho.

Túneis: Caíde, Gaviarra, Campanainha, Juncal, Vila Meã, Póvoa, Tâmega, Juncal, Riboura, Loureiro, Má Passada, Salgueiral, Peso da Régua, Três Curvas, Pedra Caldeira, Rapa Velha, Valeira, Vargelas, Arnozelo I, Arnozelo II, Arnozelo III, Fontainhas, Meão, Saião e Veiga.

Do Pocinho a Barca d'Alva - O património do troço ferroviário extinto da Linha do Douro

Estações: Côa, Castelo Melhor, Almendra e Barca d'Alva.

Pontes: Canivais, Côa, Aguiar e da Gricha.

Túneis: Castelo Melhor e Almendra.

Encerramento da ligação internacional e do troço até Barca d'Alva

A 30 de Setembro de 1984 foi aprovado, pelo governo espanhol, o encerramento a todos os tipos de tráfego, de várias ligações ferroviárias, incluindo o troço entre La Fuente de San Esteban e La Fregeneda. Este encerramento deixou sem quaisquer serviços o troço internacional entre esta última localidade e Barca d'Alva.

No dia 1 de Janeiro de 1985 foi encerrado o troço entre Boadilla e Barca d'Alva, terminando, assim, com o carácter internacional da Linha do Douro.

Em 31 de Dezembro de 1987 foi desactivado o troço entre o Pocinho e Barca d'Alva, vindo a encerrar definitivamente a 18 de Outubro de 1988.

A Linha do Douro passa a ser utilizada apenas entre o Porto e a estação do Pocinho e abandonada a exploração do restante troço até Barca d'Alva.

Em Agosto de 2009 foi anunciado, pela então Secretária de Estado e dos Transportes, Engenheira Ana Paula Vitorino, a intenção de reabrir o tráfego internacional desta linha, ficando agendados para breve o início dos trabalhos para a recuperação do troço entre o Pocinho e Barca d'Alva mas, até à data, este troço ainda se encontra encerrado.

Actualmente, o património existente ao longo deste troço desactivado encontra-se em estado avançado de degradação, resultado do declínio e da falta de preservação.

29/04/2017

Por serras de Sanabria em Espanha





Aproveitando o feriado do 25 de Abril eu o DJ e o Luís Sousa partimos no sábado de manhã rumo a Vigo (de Zamora), um pouco a Norte de Pueblo de Sanabria. 

Chegados à localidade, almoçámos e partimos para fazer a primeira caminhada denominada de "Cascadas de Sotillo".

Baseados na experiência do DJ, que já conhecia a zona e os percursos, para além de estar apetrechado com os mapas, não foi difícil encontrar o início, em Sotillo de Sanabria.

O percurso tem cerca de 8 km com um desnível não muito elevado até um máximo de 1375m de altitude. O caminho é empedrado até às cascatas que dão origem ao nome do percurso. A cascata, segundo o DJ, encontrava-se com pouca água o que, no entanto, não retirou a beleza ao local.

O regresso foi uma excelente surpresa devido à diversidade e à beleza da flora e dos riachos e penedos por onde passávamos. Creio que é considerado um dos percursos mais bonitos da zona e com razão.

Acabado o percurso era hora de passar no supermercado para adquirir alguns mantimentos necessários, o que fizemos da povoação de El Puente. Por lá aproveitámos para beber uma caña (cerveja).

O jantar foi no Bar La Terraza em San Martin, onde nos deliciámos com um chuletón de ternera depois duma entrada de habones de sanabria, realmente espectaculares.

Decidimos no domingo fazer a caminhada mais dura, "De Peces a Peña Trevinca".

Bem cedo, que as indicações eram de 10 horas de caminhada, partimos para a lagoa dos Peixes, onde deixámos o carro. Iniciámos o percurso, com 25 kms de extensão (ida e volta) e com grau de dificuldade muito elevado. Viríamos a perceber o porquê mais tarde.

Os primeiros quilómetros são em subida ligeira tendo passado por algumas manadas de vacas que pastavam sossegadamente.

Quando começámos a descer, uns quilómetros depois, apareceu, do nosso lado esquerdo, um lago muito bonito que recebe e contém as águas do Rio Tera, o qual se estende por um vale glaciar lindíssimo, a fazer lembrar algumas cenas do filme "O Senhor dos Anéis".

A paisagem é realmente de estarrecer!

A descida até ao vale ainda demorou algum tempo, o qual aproveitamos para ir apreciando a beleza do lago e do próprio vale. Lá encontrámos uma nascente, com indicação de água não tratada, que nos viria a ser muito útil na vinda.

Passámos por um refúgio de montanha e seguimos pela parte mais baixa do vale, onde atravessámos uma ponte de pedra e vários pequenos regatos que formam o Rio Tera.

No fim do vale já se viam as montanhas, ainda com neve, e o pico mais elevado, Peña Trevinca com 2127 m de altitude.
 
A grande dificuldade começou quando faltavam apenas 1800 m para o cume, onde passamos de uma cota de 1650 m para os tais 2127m. A subida é muito acentuada, o frio começa a apertar e o ar a rarear, o que torna penosa esta parte do percurso. 

Já sem a presença do guia DJ, optámos por subir pelo lado esquerdo até ao cume, numa zona onde ficamos mesmo ao lado da enorme escarpa e onde tivemos, por vezes, que escalar as pedras para vencer os desníveis.

Tendo o DJ ficado um pouco para trás, eu e o Luís chegámos vitoriosos ao cume, onde as fotos da conquista foram tiradas.

Apreciada a paisagem a 360º, era altura de esperar ou procurar o DJ, cujo último contacto visual tinha sido junto a um pedaço de gelo a meio da encosta, onde dois casais jovens se lhe tinham juntado. Como estava atrasado, resolvemos almoçar um pouco abaixo do cume, numa zona mais abrigada. 

Depois de mais de meia hora de espera, sem sinais do DJ, começamos a ficar preocupados e desatámos aos gritos chamando pelo seu nome, sem obter qualquer resposta.

Descemos mais um pouco, cada vez mais preocupados e a pensar o que fazer. Tínhamos ainda várias horas de caminhada para regressar e sendo então 15 horas a situação poderia ficar complicada.

Finalmente vi um vulto a cerca de 200/300 metros, numa encosta acima de nós, que me pereceu o nosso companheiro. Mais uns largos minutos de espera e lá apareceu o desejado DJ a quem abraçámos.

Tinha ido até ao cimo, chegando primeiro que os dois casais que o tinham ultrapassado e a quem deu indicações de como lá chegar. Na volta, decidiu vir por um sítio mais complicado, entre duas placas de neve, o que o fez demorar mais tempo.

Juntos de novo e agora inseparáveis, regressámos pelo vale, onde começámos a pagar o desgaste físico sofrido na íngreme subida a Peña Trevinca. A velocidade de progressão era cada vez menor.

Chegámos ao fim da caminhada, embora o DJ e o Luís tivessem que reabastecer na nascente de água não tratada depois do abrigo de montanha.

Chegados a casa, um bom banho e o tratamento de algumas mazelas, fizeram esquecer a dureza do percurso. Fomos jantar a outro restaurante de San Martin, onde assistimos ao Real Madrid - Barcelona que passava na TV. 

Para o dia de 2ª feira, o DJ optou por se reservar de fazer qualquer actividade mas eu e o Luís fomos fazer a última caminhada, de dificuldade média/alta, denominada "Los Cañones del Cárdena y Segundera" com cerca de 12,5 Km, com partida e chegada em Ribadelago, na ponta Oeste do Lago de Sanabria.

Esta povoação sofreu uma catástrofe em 9 de Janeiro de 1959, quando uma ruptura na barragem de Vega de Tera inundou e arrasou a povoação ceifando a vida a 144 dos seus habitantes.

Partindo duma cota de cerca de 1000 metros fomos subindo a montanha pelo lado esquerdo do Rio Cárdena até ao embalse do mesmo nome, seguido da passagem pela Lagoa Roya e pelo embalse Guarandones. Chegámos a atingir uma cota de 1637 m com vistas muitos bonitas sobre os lagos e arredores.

A descida, mais curta em comprimento portanto mais inclinada, foi penosa devido à maior parte do piso ser em pedra solta o que obrigou os joelhos a esforço redobrado e os pés a ficarem massacrados.

No fim o DJ, que tinha ficado a recuperar em casa, veio-nos buscar e levou-nos de volta para um merecido descanso antes do jantar.

Para a refeição da noite, demos uma volta por El Puente mas resolvemos ir até Puebla de Sanabria onde optámos pela Posada de Sanabria, um restaurante junto ao Castelo, onde não nos arrependemos do belo solomillo de corzo com boletus, uns cogumelos típicos da zona.

No último dia fizemos novamente uma visita a Puebla de Sanabria, agora com mais detalhe, incluindo uma visita ao castelo/museu e aproveitámos para comprar uns produtos típicos da terra, habones e boletus.

Ficámos com grande curiosidade de fazer outros percursos na zona, nomeadamente o canhão do Tera, actividade a programar para outro fim de semana comprido.

Francisco Soares

 

27/04/2017

Linhas Ferroviárias Extintas - Linha do Dão




A Linha do Dão é uma ferrovia histórica de via estreita (1000 mm) localizada no centro de Portugal.

Situada geograficamente no Distrito de Viseu, atravessava os concelhos de Santa Comba Dão, Tondela e Viseu, numa extensão total de 49,3 Km.

Património

Estações: Santa Comba Dão, Treixedo, Tonda, Tondela, Sabugosa, Parada de Gonta, Farminhão, Torredeita, Figueiró e Viseu.

Apeadeiros: Nagozela, Porto da Lage, Naia, Casal do Rei, Várzea, Mosteirinho, Travassós de Orgens, Tondelinha e Vildemoinhos.

Obras de Arte: Ponte de Treixedo, ponte de Nagozela, ponte de Tinhela ou da Dinha, ponte de Mosteirinho, túnel de Santa Catarina ou da Parada e o túnel de Figueiró. 

Factos Relevantes

O serviço de mercadorias foi suspenso em 1972 e em 1988 foi a vez do serviço ferroviário de passageiros terminar.

A infra-estrutura viária (carris, travessas e balastro) foi quase totalmente retirada até 1999. 

A Ecopista do Dão

Em 2011 foi inaugurada uma ecopista em todo o antigo traçado da Linha do Dão, ligando Viseu a Santa Comba Dão.

São quase 50 kms de um projecto que atravessa os concelhos de Viseu, Tondela e Santa Comba Dão, sendo uma das maiores ecopistas do país.

A Ecopista do Dão, para além de aproveitar integralmente a plataforma do antigo ramal ferroviário, inclui a requalificação e revalorização ambiental de pontes, algumas estações e envolventes.

A título de exemplo, é a recuperação da antiga Estação de Figueiró, em Viseu, transformada em sede de Junta da Freguesia de São Cipriano.