Serra de São Macário - Da Pena a Covas do Monte...

23/06/2010

O meu Caminho... (Continuação)



...Passa cada vez mais pessoal de bike, cumprimentam e desejam "Bom Caminho".
Este é um bom começo, sinto que o Caminho estimula a solidariedade que todos vamos perdendo no dia a dia.
O percurso é duro mas eu gosto, chego rapidamente ao Albergue de Rubiães.
Tratado e lavado dedico-me ao tratamento dos equipamentos e depois procuro um local para jantar. A cerca de 1 km no "Constantino" delicio-me com vinho verde tinto da casa e um frango caseiro. Gostei, simples e saboroso.
Um casal ao lado meteu conversa, são franceses de Nantes, e tambem estão a fazer o seu Caminho. Depois de terem criado 5 filhos chegou a altura deles voltarem a viver a sua vida.
Quando chego ao Albergue sou convidado por uns casais Brasileiros a juntar-me a eles e beber um copo de vinho, adoram vinho Português e ficamos a beber e falar de vinhos até a hora de deitar.
Levantei-me cedo e saí cerca das 6h30, desta vez a saída sozinho foi uma opção. Tomei o pequeno almoço em São Bento da Porta Aberta com um peregrino já conhecido, o Fran de Alicante. Perguntei-lhe se não carimbava a credencial ao que me respondeu que já tinha feito os outros Caminhos e que já não precisava de carimbos na vida dele. Recomeço e mais além encontro outro conhecido, um rapaz alemão, aquem pergunto se esta tudo bem obtendo uma resposta positiva.
Chego cedo a Valença e cedo vou almoçar. Depois vou até ao Albergue para ver se consigo enviar as fotos para o Vicente o que só consigo fazer após comprar um adaptador nos chineses.
Começo a sentir o Caminho, sinto-me bem sozinho, sinto-me forte e determinado e o corpo reage bem. E até me sabe bem ouvir o silêncio.
Chego cedo a Fronteira e fico à espera da Inês e companhia. Demoram a chegar e avisam que estão atrasados o que me leva a dicidir a continuar sozinho.
Tui, cidade antiga que continua a causar admiração. O trilho é bonito mas o pior está na famosa recta da zona Industrial de Porriño. Cinco (5) km debaixo de um Sol abrasador apenas com a vantagem de ser Domingo e por isso não haver tráfego de camiões.
Começo a perder o andamento e sinto os pés a ferver. Afinal acho que vou ficar em Mós. Algum tempo depois começam a chegar os conhecidos do costume, os brasileiros, as Austríacas, o alemão e tambem a Inês com os pais, a Dª Helena e o Sr. João. Finalmente conhecemo-nos.

Saída cedo, passo por Redondela e depois entramos num trilho de floresta muito bonito com a ria de Vigo à vista. Arcade e as suas famosas ostras ficam para trás e entro no rio Verdugo através da famosa ponte Sampaio, que foi palco de batalhas sangrentas contra as tropas de Napoleão.
Finalmente chego a Pontevedra e ao seu bem equipado Albergue. Trato do equipamento e vou beber umas "cañas" ao Gambrinus que o meu mal é sede.
A Inês começar a presentar bolhas. Não vai ser fácil continuar assim, ainda para mais está começar a chover. Esta jornada debaixo de chuva não dá direito a fotos nem grandes recordações e se não fosse o bom material de montanhismo estava tramado.
O que importa é que fomos a uma tasca "Muiño" depois de chegarmos a Caldas de Reis e foi uma sinfonia de petiscos e tintol Rioja com 13.5º. Saimos bem tratados e prontos para outro dia. Reencontro Fran, cumprimentamo-nos e ele na calma que lhe é característica diz que o Caminho se faz pouco a pouco, caminhando.
Encontro tambem os italianos que conheci no 1º dia, o Angelo e o Luigi, dois velhotes castiços.
Outro dia de chuva que começa durante o pequeno-almoço e não pára de cair. Decidimos ir até o Albergue de TEO.
Começo a ficar preocupado com a Inês, vejo-lhe no rosto o sofrimento causado pelas bolhas nos pés e tento animá-la. Não vai desistir, parece que sai à mãe. Gosto de pessoas com coragem.
Almoçamos em Padron onde fazemos a visita turística da ordem e seguimos até Teo. Depois dos trabalhos habituais à chegada vamos às compras. Decidimos fazer uma sopa para o jantar e claro que para acompanhar lá consegui desencantar um Rioja tinto "EL COTO", muito razoável para aquecer o corpo depois de mais um dia mohado da água da chuva.
Ultima jornada até Santiago, percorro os 13 km com calma enquanto revejo tudo o que tinha passado e visto nos últimos dias. Era a hora de começar a fazer contas ao meu Caminho.
Chegámos cedo e fomos buscar a Compostela e de seguia fomos assistir à missa na Catedral.
Daí seguimos para o almoço que estava na hora de planear o regresso a Portugal, primeiro de comboio entre Santiago a Vigo, e depois de Vigo até Valença onde os pais da Inês tinham o carro. Disponibilizaram-se a dar-me boleia até Ovar terminando assim este meu acto de Peregrinar.
Manuel Amaral

1 comentários:

Só consigo ler "RIOJA" e não me lembro de nenhum lugar com esse nome.
Essa "peregrinação" foi onde?