Serra de São Macário - Da Pena a Covas do Monte...

07/04/2008

Marcha de Montanha - Trilho dos Incas


O Trilho dos Incas é para mim um dos mais bonitos trilhos da Serra da Freita. Longo, duro, bonito, tem de tudo o que se pode querer numa actividade de Montanhismo.
Eram 9 horas de Sábado e o grupo de 5 elementos (Calé, Vicente, Cardoso, Amaral e Rui) lá se encontrou em Arouca para a realização de uma marcha de dois dias. Seguimos então até à Póvoa das Leiras onde, após os últimos retoques nas mochilas, lá partimos em direcção ao dito trilho.
O dia estava fantástico, ensolarado e nesta fase com uma temperatura amena.
Pouco tempo depois já percorriamos a parte que dá nome ao trilho, por ter algumas parecenças, salvo as devidas proporções, ao famoso Inca Trail.
Chegados à Serra da Ribeira o horizonte alargou-se e começou-se a desfrutar de uma paisagem magnífica.
Infelizmente a "praga" das eólicas, postes e cabos de alta tensão também já invadiram este paraíso, mas nem quero comentar isso.
Caminhámos então ao longo da serra em direcção à aldeia de Covelo de Paivô, que se dislumbrava ao longe e lá em baixo.
A descida massacrava-nos as pernas. Também o peso das mochilas já se fazia sentir nos ombros e costas. Uma paragem para comer e beber qualquer coisa deu para descontrair enquanto observávamos o rio que corria ao fundo, com inúmeras cascatas e poços excelentes para dar um mergulho.
Finalmente a descida acabou e atravessámos o rio Paivô, começando então a subida até ao trilho que liga à aldeia de Regoufe. Agora era o calor que nos castigava e o Sol mordia-nos as carnes, enquanto subiamos penosamente por caminhos nem sempre muito bons.
A paisagem continuava a ser deslumbrante, acompanhando primeiro o Rio Paivô e depois a ribeira de Regoufe. Uma nova paragem à sombra de um velho castanheiro ajudou a refrescar um pouco e logo a seguir chegámos a Regoufe. Aí fomos logo à tasca beber umas cervejinhas bem frescas e descansar um pouco.
Depois reabastecemos de água e subimos até ao alto de Regoufe e descemos para o Pego, local previsto para o acampamento.
Mais um trilho de paisagem maravilhosa este que nos leva ao rio. A passagem na já decadente e pouco segura ponte de madeira animou a festa.
Já na chegada ao local do acampamento, talvez pelo cansaço das horas de marcha, pela carga que transportava e pelo calor o Vicente escorregou e para azar tem uma entorce no pé direito. Esta situação, atendendo ao local em que estávamos poderia ter tido contornos bem mais desagradáveis.
Com mais um esforço lá chegámos ao rio e ele aproveitou para colocar o pé na água fria a fim de minimizar o inchaço que já alastrava pelo tornozelo.
Aproveitámos para nos resfrescar nas águas geladas e apenas o Cardoso conseguiu dar um mergulho. Frescos e mais descansados montámos o acampamento e fomos preparar o jantar, que o dia tinha sido desgastante e a alimentação escassa.
Aqui vem a parte maravilhosa dos dotes culinários deste pessoal. O Amaral preparou uma punheta de bacalhau com alho, cebola e até azeitonas, O Cardoso esparguete à milanesa, eu arroz com carne de búfalo seca. No final o Vicente apresentou uma bela e saborosa manga e o Cardoso ainda fez arroz doce (é verdade com canela e tudo). Até parecia que estávamos num belo restaurante).
Um pouco de conversa e estava na hora do descanso.
Depois de uma noite mal dormida, como todas as que passo em tendas lá chegou a hora da alvorada.
Devido ao problema com o pé do Vicente resolvemos que ele voltaria para trás até Regoufe acompanhado pelo Cardoso e pelo Rui enquanto eu e o Amaral subiriamos em direcção à Póvoa das Leiras para recuperar o carro.
Como a nossa parte era a mais "dura", aliviámos carga para os dois "acompanhantes" e partimos deixando-os a desmontar o acampamento.
Depois de tentarmos a passagem por um velho trilho, e de verificármos que o mato não nos ia facilitar a vida, decidimos voltar atrás e abordar a subida à bruta. E assim foi, com um desnível bem acentuado fomos galgando terreno, não sem parar umas quantas vezes para respirar e acalmar o coração que galopava nos peitos. Depois de encharcar bem as camisolas lá subimos a serra, de patamar em patamar, até ao alto da cota.
Enquanto subiamos iamos observando, do outro lado da encosta, o trio a evoluir lentamente trilho acima até ao alto de Regoufe.
Quando finalmente chegámos à Póvoa das Leiras, bebemos mais uma cervejinha no café e partimos em direcção a Regoufe, via Portal do inferno (lugar lindo com os seus penhascos) a recuperar os restantes elementos.
Já em Arouca juntaram-se a nós a minha família e o Amaral retirou-se para uma feijoada que o esperava em casa (que pena que temos dele... :) )
No final, e como sempre, acabámos a comer um belo cozido à portuguesa e uns saborosos nacos de carne arouquesa com feijão, obviamente bem regados.
Cansados, doridos e empenados mas bem satisfeitos e já com vontade de preparar outra para breve.


Fotos da marcha

Video 1º dia:

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Video 2º dia:
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3 comentários:

Xiça, que grande estafa.
Devo ter perdido três ou quatro Kilos na marcha e recuperado outros tantos na almoçarada!!!
Esta é a minha ultima actividade convosco este ano, mas espero que continuem para eu poder ir lendo as vossas aventuras.
Até breve,
RuiC

Foi com muito gosto que voltei a colocar aquela mochila enorme e pesada às costas, e se houve momentos em que as dificuldades não foram poucas já estou com vontade de fazer outra.
Quando voltares, se não vieres cansado de tanto ser benemérito ":)" cá estaremos com as mochilas e cordas prontas.
Talvez te tornes um verdadeiro "macho" e adiras também as bikes.

um abraço e boa sorte pelo Brasil

Grande aventura!
Essa serra é mesmo muito bonita e desconhecia esse trilho.
Já tenho em mente faze-lo.

Boas aventuras
Abraço