Serra da Arada - De Regoufe a Drave
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25/04/2018
Rota Vicentina - Trilho dos Pescadores
Para mim esta etapa foi aquela de que mais gostei.
Este trilho acaba por juntar o melhor dos dois primeiros da rota.
Para os quatro totalistas desta Rota, eu, Francisco, Cardoso e DJ, irão certamente ficar na memória estas paisagens únicas da Costa Vicentina e os momentos vividos em grupo enquanto se percorria o Trilho dos Pescadores.
Venham mais trilhos destes.
24/04/2018
Rota Vicentina - Trilho dos Pescadores
Esta foi a mais longa, com cerca de 22 km.
Com início em Almograve o percurso começa por um longo estradão à beira-mar que depois passa a trilho em areia sobre as dunas e falésias da costa.
Assim se mantém até perto de Cavaleiro, uma pequena aldeia perto do Cabo Sardão.
A chegada e a descida ao porto é um bom momento no passeio.
A partir daí e durante 3 Km segue por uma espécie de ciclovia cujo pavimento é formado de pequenas pedras soltas que massacram os pés.
Pessoalmente achei esta etapa a menos interessante do percurso já efectuado. No entanto, não deixa de ter a sua beleza.
Amanhã partimos para a última etapa deste trilho, realizando a ligação de Zambujeira do Mar a Odeceixe. Serão os últimos 17 Km desta nossa aventura.
23/04/2018
Rota Vicentina - Trilho dos Pescadores
Iniciámos o percurso de barco na travessia do Rio Mira o que nos poupou cerca de três quilómetros, grande parte por estrada, ficando assim a etapa em 12 Km. Apesar de curta a viagem de barco não deixou de ser diferente e agradável.
De qualquer maneira as vistas para o mar, quando surgiam, foram sempre divinais.
Ao longo do percurso foi ainda necessário atravessar duas ribeiras que obrigaram a meter as botas na água. Valeu que a profundidade era pouca e, de pedra em pedra, quase ninguém molhou os pés.
Amanhã vem a etapa mais longa do percurso, pelo que, todos sabemos que vai custar um bocado. Se for como a primeira, que grande parte do caminho era em areia, então vai mesmo doer.
22/04/2018
Rota Vicentina - Trilho dos Pescadores
Hoje iniciámos o "Trilho dos Pescadores" na Rota Vicentina. Eu, Francisco, Cardoso, Dj e Figueiredo partimos cedo de Porto Côvo para cumprirmos os cerca de 20 Km desta etapa.
Pelo caminho a passagem na Ilha do Pessegueiro e no Forte do Pessegueiro, inúmeras praias e falésias.
Amanhã realizaremos a ligação entre Vila Nova de Milfontes e Almograve num total de 15 km.
Seremos então apenas quatro elementos, uma vez que o Figueiredo apenas nos acompanhou na primeira etapa.
28/04/2014
II Travessia Guarda - Loriga (Serra da Estrela)
Em comemoração do X Aniversário da primeira Travessia da Serra da Estrela resolvemos voltar a percorrer o percurso de ligação entre a Guarda e a Torre, com descida depois para Loriga pela Garganta com o mesmo nome.
Depois de fazermos a preparação física com um conjunto de caminhadas com algum nível de dificuldade, na Serra da Freita, e de tratados os mais pequenos pormenores relacionados com os equipamentos, alimentação, viagens e outros detalhes, partimos na Sexta-feira (25 de Abril), para a cidade da Guarda.
(25/Abr)
Estávamos já instalados na residencial quando chegou o quarto elemento da aventura, o Pina Jorge.
Dos quatro, três tinham estado na 1ª Travessia (Calé, Pina Jorge e Francisco). Na altura, o Francisco abandonou a aventura no segundo dia de actividade por lesão num joelho.
Dos quatro, três tinham estado na 1ª Travessia (Calé, Pina Jorge e Francisco). Na altura, o Francisco abandonou a aventura no segundo dia de actividade por lesão num joelho.
Demos uma volta pela Guarda e jantámos num restaurante local. O dia esteve frio e a ameaçar chuva.
Deitámo-nos cedo.
(26/Abr)
Saímos com frio e chuva. Sabíamos que o dia ia ser chuvoso, mas tínhamos a esperança que para o final as condições atmosféricas melhorassem.
Saímos da Guarda por uma antiga via romana e em breve chegámos ao percurso denominado por T1, onde algumas marcas vermelhas, já bastante "comidas" pelo tempo, nos foram ajudando durante o percurso.
As alterações que entretanto ocorreram, com a construção de uma estrada, modificaram substancialmente o caminho e as marcas desapareceram. A chegada a Chãos e depois a Pêro Soares foi feita sem grande certeza sobre o caminho que percorríamos. Por intuição em alguns pontos e depois perguntando a locais, lá chegámos ao ponto que pretendíamos que era a descida pela antiga via romana, para Vila Soeiro.
Seguimos depois para Vila Soeiro onde o percurso inicia a subida pelas encostas escarpadas. Esta parte do percurso não foi percorrida há dez anos atrás por indicação de um local (o compadre Abade). Na altura o conselho que nos deu custou-nos umas horas a mais de marcha para contornar a serra até chegar ao seu planalto. Desta vez e para evitar essas horas, decidimos seguir pelo caminho indicado.
Percebemos, 10 anos depois, o porquê do conselho do velho compadre. E desta vez pagámos um preço caro por o não termos voltado a seguir.
Pelo caminho a chuva foi quase sempre uma constante e o vento, por vezes forte, também não nos ajudou muito durante o percurso. Quer pela água da chuva, quer pelo suor, já íamos todos molhados, mas nesta altura sem qualquer problema de maior.
Parámos para comer qualquer coisa e logo continuámos a caminhada. Pouco depois o mato tomou conta do caminho, o que começou a ser complicado, ainda mais porque íamos bastante carregados e manobrar com as mochilas grandes e pesadas não estava a ser fácil.
Eu e o Pina Jorge tirámos as mochilas e fizemos mais umas dezenas de metros pelo caminho mas percebemos que continuar por ali estava fora de questão.
No regresso as coisas correram mal mas, apesar de tudo, temos a considerar que a coisa até acabou por não ser assim tão grave.
Regressávamos ainda pelo trilho de pé posto quando eu (Calé), ao pousar o pé, a pedra cedeu, provocando uma entorse no pé direito e, ao desequilibrar-me, o peso da mochila atirou-me para a vertente mais exposta.
Ainda escorreguei alguns metros pela pendente até me conseguir agarrar a umas rochas. Percebi logo que o meu pé direito não estaria nas melhores condições, tendo-me valido as botas. Provavelmente teria partido o pé e a situação seria muito mais complicada.
Subi novamente até ao trilho e lá fui descendo até Vila Soeiro. O pé não estava bom mas não me causava grande problema a caminhar. Talvez porque ainda estivesse quente.
Seguimos então por um trilho junto ao Rio Mondego que nos levou até a uma pequena central eléctrica. Pensámos pernoitar por lá, mas a mesma encontrava-se encerrada e o único barracão aberto era um curral para gado, cheio de dejectos animais. Descansámos ao seu abrigo enquanto decidíamos o que fazer.
Decidimos seguir a caminho da povoação dos Trinta procurando um caminho para o fazer. Depois de uma tentativa que abortámos quando verificámos que a direcção do caminho não era a que nos interessava, seguimos as marcas de um percurso pedestre.
Este levou-nos por uma levada, primeiro em equilíbrio por um estreito muro, com apoio de uns arames, facto que não me agradou em especial, mas depois seguiu por um caminho de pé posto junto à levada.
No final da subida a aldeia de Trinta apareceu-nos ao fundo, mas o caminho para lá chegar não foi fácil. Era um caminho de pé posto, entre mato molhado e escorregadio a obrigar-nos a andar meio inclinados. As ervas travavam o andamento, fazendo-nos tropeçar nelas.
Depois, já em estradão, lá chegámos à povoação e ao seu café.
Molhados, cansados, doridos, aleijados mas contentes de chegar à civilização, depois de quase 9 horas de marcha por caminhos duros e nada fáceis, ainda para mais bastante carregados.
Devido às condições atmosféricas que se mantinham, com frio, vento forte e chuva, e ao estado em que estávamos, decidimos arranjar um lugar para dormir.
Assim o fizemos ficando num alojamento local.
O banho quente e depois uma boa refeição ajudaram a recuperar o ânimo. O mesmo não aconteceu comigo quando vi o meu tornozelo. Percebi que a aventura teria terminado para mim.
(27/Abr)
Depois de uma boa noite de descanso, os meus três companheiros de aventura continuaram a Travessia e eu regressei à Guarda de táxi e depois a Aveiro de autocarro.
Sei que eles tiveram um dia bem melhor, com Sol, e chegaram à Portela, na base da subida ao São Tiago, onde acamparam.02/07/2012
De Regoufe a Covas do Monte por Drave
Partimos de Regoufe em direcção a Drave pelas 22h30 de Sábado passado. A noite estava um pouco fria mas, apesar das nuvens, o luar iluminava o caminho pelo que caminhámos muito tempo sem necessidade de ligar os frontais.
Depois da subida ao Alto de Regoufe entrámos pelo estradão que segue para Drave para constatarmos que o mesmo já foi aumentado umas dezenas de metros.
Se calhar a ideia é fazer mais uma SCUT e meter portagens até a Drave para ajudar na recuperação da crise. O problema é que com isto vão acabar por destruir o belo trilho que liga estes dois lugares acabando de vez com um dos mais bonitos lugares desta serra e, quem sabe, do país.
Chegámos a Drave por volta da 00h30 onde, "guiados" por uma escuteira, montámos o acampamento.
Após a curta noite partimos pelas 07h40 em direcção ao Portal do Inferno.
O incêndio do ano passado limpou o muito mato que por lá havia o que nos permitiu caminhar sem problemas de maior até perto da cascata. Algumas mariolas mostraram-nos o ponto da saída da linha de água e subimos calmamente, mas com esforço, a íngreme encosta até à estrada.
A primeira parte do percurso estava feita mas ainda faltava a ida a Covas do Monte e o regresso a Regoufe, dado que o objectivo era procurar a ligação entre Regoufe e Covas do Monte.
Descemos pela linha de água que vai ter a Covas do Monte, num longo e bastante íngreme percurso com muito cascalho solto. A carga às costas e a inclinação do percurso em alguns pontos desgastaram-nos bastante.Pelo caminho tivemos que dar passagem a um enorme rebanho de cabras que subia a serra.
Chegámos a Covas do Monte apenas para fotografar a aldeia, ou apenas a entrada desta, e regressámos ao Portal do Inferno.
A longa subida, apesar de ter sido percorrida em metade do tempo, abalou alguns dos elementos do grupo.
Continuámos a subir depois por estrada até ao planalto onde entrámos no trilho que nos leva ao Alto de Regoufe e daí até à povoação, onde chegámos 7h20 depois de termos partido de Drave.
15/05/2011
Drave nocturno e descida do Rio Paivô
Fomos primeiro ao café da aldeia onde comemos alguma da nossa comida acompanhada por umas cervejas fresquinhas.
Preparámos, eu e o Vicente, o material e iniciámos o caminho para Drave.
O objectivo era dormir em Drave e de manhã bem cedo fazer a descida para o Rio Paivô e percorrer o leito do rio, regressando depois a Regoufe.
Chegámos a Drave cerca da 00h30 e escolhemos o local de acampamento.
Pouco tempo depois, dois escuteiros abordaram-nos e pediram-nos para não acampar naquele local, que pelos vistos era privado, e indicaram-nos outras hipóteses de acampamento.
Sem qualquer problema mudámos para junto do rio onde uma pequena cascata desagua num belo poço onde já em tempos tomei deliciosos banhos.
A noite decorreu com tranquilidade, sempre sob o ruído da água que caía na cascata.
Saímos ainda bastante cedo de Drave e durante uns km's regressámos pelo mesmo caminho percorrido na noite anterior. Depois desviámos e fomos em busca da descida para o Pêgo. Encontrado o trilho, descemos pela encosta até à casa da saudosa Dª Maria Pinto e daí até ao rio.
Na travessia do mesmo o Vicente iniciou o banho forçado ao cair de cú na água.
Já no leito do rio, após a passagem de uma represa que forma uma cascata, esperámos pelo Rui Correia e o Sousa que se iriam juntar a nós em mais esta descida do rio Paivô.
Começámos a descida, sempre algo perigosa pela enorme possibilidade de quedas nas pedras molhadas e escorregadias, com todo o cuidado possível. Rapidamente verificámos que as mochilas que carregávamos não iam ajudar nada nesta parte do rio. Demasiado pesadas e grandes iam desequilibrar-nos e dificultar a caminhada neste tipo de terreno.
Não muito de
pois de iniciarmos a descida no leito só dei por mim dentro de água com todo o equipamento fotográfico e telemóvel, acabando por aí a reportagem "em directo" e a captação de imagens do passeio.Continuámos a descida com escorregadela aqui e ali, com muitas passagens dentro de água, até chegarmos ao local onde aproveitámos para meter a roupa a secar, tirar a água das botas e tomar um banho numa das melhores poças de água do rio.
Comemos por lá qualquer coisa e seguimos a viagem.
Mais uns saltos nas pedras do rio, mais umas passagens por dentro de água, mais umas escorregadelas e chegámos ao ponto de saída do rio.
O calor fazia-se sentir! Como a saída é algo íngreme e ainda a umas horas da aldeia, decidimos tomar mais um banho refrescante antes da partida, aproveitar para retirar a água das botas e secar um pouco as meias ao Sol.
A saída do rio faz-se junto a um abrigo de pastores e efectua-se uma subida íngreme pela encosta.
O trilho começou então a ficar tapado com matos, dificultando a progressão e até mesmo a ser difícil de se perceber por onde seguia. Lá fomos andando até ao ponto onde há uns anos uma pequena mata nos permitia gozar alguma protecção ao calor. Aí o trilho pura e simplesmente desapareceu, com mato alto e muitas árvores caídas. Depois de alguns metros em estilo "Indiana Jones" a caminhar sobre troncos e por mato denso, percebemos que o melhor era recuar.
Estudei o terreno e decidi que a melhor solução era subir a encosta contornando por cima o antigo bosque.

E foi isso que fizemos, subimos a íngreme encosta entre algum tojo e muita pedra solta. A subida foi longa e desgastante, devido ao calor e à carga que, pelo menos eu e o Vicente, carregávamos.
Lá chegámos ao trilho que nos levou de volta a Regoufe e onde podemos verificar que também este está em vias de desaparecer sob os matos que já o ocupam.
A entrada na aldeia, onde existiam umas vinhas e alguns campos tratados é agora mato e tojo. O abandono é completo.Na aldeia refrescámos as gargantas com mais umas cervejitas frescas e depois acabámos em Chão d'Ave com uma feijoada regada por um verde tinto fresquinho.
23/06/2010
O meu Caminho... (Continuação)

...Passa cada vez mais pessoal de bike, cumprimentam e desejam "Bom Caminho".
Este é um bom começo, sinto que o Caminho estimula a solidariedade que todos vamos perdendo no dia a dia.
O percurso é duro mas eu gosto, chego rapidamente ao Albergue de Rubiães.
Tratado e lavado dedico-me ao tratamento dos equipamentos e depois procuro um local para jantar. A cerca de 1 km no "Constantino" delicio-me com vinho verde tinto da casa e um frango caseiro. Gostei, simples e saboroso.
Um casal ao lado meteu conversa, são franceses de Nantes, e tambem estão a fazer o seu Caminho. Depois de terem criado 5 filhos chegou a altura deles voltarem a viver a sua vida.
Quando chego ao Albergue sou convidado por uns casais Brasileiros a juntar-me a eles e beber um copo de vinho, adoram vinho Português e ficamos a beber e falar de vinhos até a hora de deitar.
Levantei-me cedo e saí cerca das 6h30, desta vez a saída sozinho foi uma opção. Tomei o pequeno almoço em São Bento da Porta Aberta com um peregrino já conhecido, o Fran de Alicante. Perguntei-lhe se não carimbava a credencial ao que me respondeu que já tinha feito os outros Caminhos e que já não precisava de carimbos na vida dele. Recomeço e mais além encontro outro conhecido, um rapaz alemão, aquem pergunto se esta tudo bem obtendo uma resposta positiva.
Chego cedo a Valença e cedo vou almoçar. Depois vou até ao Albergue para ver se consigo enviar as fotos para o Vicente o que só consigo fazer após comprar um adaptador nos chineses.
Começo a sentir o Caminho, sinto-me bem sozinho, sinto-me forte e determinado e o corpo reage bem. E até me sabe bem ouvir o silêncio.
Chego cedo a Fronteira e fico à espera da Inês e companhia. Demoram a chegar e avisam que estão atrasados o que me leva a dicidir a continuar sozinho.
Tui, cidade antiga que continua a causar admiração. O trilho é bonito mas o pior está na famosa recta da zona Industrial de Porriño. Cinco (5) km debaixo de um Sol abrasador apenas com a vantagem de ser Domingo e por isso não haver tráfego de camiões.
Começo a perder o andamento e sinto os pés a ferver. Afinal acho que vou ficar em Mós. Algum tempo depois começam a chegar os conhecidos do costume, os brasileiros, as Austríacas, o alemão e tambem a Inês com os pais, a Dª Helena e o Sr. João. Finalmente conhecemo-nos.
Saída cedo, passo por Redondela e depois entramos num trilho de floresta muito bonito com a ria de Vigo à vista. Arcade e as suas famosas ostras ficam para trás e entro no rio Verdugo através da famosa ponte Sampaio, que foi palco de batalhas sangrentas contra as tropas de Napoleão.Finalmente chego a Pontevedra e ao seu bem equipado Albergue. Trato do equipamento e vou beber umas "cañas" ao Gambrinus que o meu mal é sede.
A Inês começar a presentar bolhas. Não vai ser fácil continuar assim, ainda para mais está começar a chover. Esta jornada debaixo de chuva não dá direito a fotos nem grandes recordações e se não fosse o bom material de montanhismo estava tramado.
O que importa é que fomos a uma tasca "Muiño" depois de chegarmos a Caldas de Reis e foi uma sinfonia de petiscos e tintol Rioja com 13.5º. Saimos bem tratados e prontos para outro dia. Reencontro Fran, cumprimentamo-nos e ele na calma que lhe é característica diz que o Caminho se faz pouco a pouco, caminhando.
Encontro tambem os italianos que conheci no 1º dia, o Angelo e o Luigi, dois velhotes castiços.
Outro dia de chuva que começa durante o pequeno-almoço e não pára de cair. Decidimos ir até o Albergue de TEO.
Começo a ficar preocupado com a Inês, vejo-lhe no rosto o sofrimento causado pelas bolhas nos pés e tento animá-la. Não vai desistir, parece que sai à mãe. Gosto de pessoas com coragem.
Almoçamos em Padron onde fazemos a visita turística da ordem e seguimos até Teo. Depois dos trabalhos habituais à chegada vamos às compras. Decidimos fazer uma sopa para o jantar e claro que para acompanhar lá consegui desencantar um Rioja tinto "EL COTO", muito razoável para aquecer o corpo depois de mais um dia mohado da água da chuva.
Ultima jornada até Santiago, percorro os 13 km com calma enquanto revejo tudo o que tinha passado e visto nos últimos dias. Era a hora de começar a fazer contas ao meu Caminho.
Chegámos cedo e fomos buscar a Compostela e de seguia fomos assistir à missa na Catedral.
Daí seguimos para o almoço que estava na hora de planear o regresso a Portugal, primeiro de comboio entre Santiago a Vigo, e depois de Vigo até Valença onde os pais da Inês tinham o carro. Disponibilizaram-se a dar-me boleia até Ovar terminando assim este meu acto de Peregrinar.
Manuel Amaral
30/05/2010
Linha do Douro - de Barca d'Alva ao Pocinho
Apesar da vontade de efectuar esta actividade há uns anos só agora surgiu, finalmente, a oportunidade de realizar a travessia Barca d'Alva - Pocinho pela parte extinta da Linha Férrea do Douro que ligava estas duas povoações. Para esta travessia contei com a companhia de mais oito companheiros que se juntaram a mim para dois dias de marcha pela linha.
Partimos, no final de sexta-feira, para Vila Nova de Foz Côa para pernoitarmos na Pousada da Juventude. De Aveiro partimos (Calé, Cardoso, DJ e Bruno) e já na Pousada encontrámo-nos com o pessoal do Porto e Ovar (Pina Jorge, Borges, Hugo e Amaral). Chegados à Pousada fomos surpreendidos por uma garrafa de champanhe e um bolo levado pelo Amaral para comemorar o encontro para mais uma actividade.
Depois de uma noite bem dormida (por alguns) tomámos o pequeno-almoço enquanto esperávamos que o último elemento, o Marcelino, se juntasse ao grupo.
Pouco depois chegavam os táxis que nos levariam a Barca d'Alva.
Chegados às ruínas do que em tempos foi uma bela e imponente estação preparámos as mochilas, grandes e pesadas e partimos em direcção à aventura.
Atravessámos a vila, sempre pela linha, e fomos logo percebendo que a tarefa não iria ser fácil, pela pedra e pelo mato que já se verificava existir no trilho.
O calor também se fazia sentir e à medida que os Km's se sucediam, os pés começavam a sentir as pedras da linha, os ombros o peso das mochilas e uns arranhões no mato complementavam o cenário.
Chegámos à primeira ponte da viagem e logo com um início sugestivo, dado que os passadiços nos primeiros metros já não existem. Com cuidado e usando o corrimão para equilibrar lá fomos passando até à parte em que ainda existe passadiço e depois com mais à vontade superámos o resto da ponte.
Mais uns metros e surge na via o primeiro túnel, escondido entre o mato, que atravessámos aproveitando a frescura do mesmo.
Aproximávamo-nos agora da antiga estação de Almendra que atingimos passados uns minutos. Aproveitámos para descansar e beber alguma água e comer qualquer coisa.
A paisagem apesar de bonita tornava-se monótona com o Douro a correr lentamente mesmo ao nosso lado. A linha decorria (ou decorre) sempre ao lado do rio.
Até aí e desde a saída de barca d'Alva nem uma simples alma apareceu no caminho. O silêncio envolvia-nos quebrado apenas pelo ruído causado pelo caminhar no cascalho sempre presente em toda a Travessia. Continuámos então o trilho com destino a Castelo melhor, a próxima estação da linha. Mais cascalho, mato e o mesmo ambiente melancólico, quente e sem vivalma, com excepção dos elementos do grupo.
Uma nova ponte, esta com passadiço completo num dos lados, e surge a primeira presença humana até ao momento num barco turístico que subia o rio até Barca d'Alva.
Pouco depois chegávamos à abandonada e em ruínas estação de Castelo Melhor local onde aproveitámos para descansar.
Retemperadas as forças decidimos continuar até à próxima estação, a do Côa, passando então pelo segundo túnel do percurso.
E lá continuámos a calcar o cascalho da linha, as travessas e os carris, agora com muito mais mato, o que impedia muitas vezes de ver além do espaço que percorria-mos, aumentado o calor e causando mais arranhões nos caminheiros.
Este pedaço tornou-se longo, pela carga que nos massacrava os ombros, pelo cascalho que começava a dar cabo de tornozelos e pés, pelo mato que dificultava a progressão e pelo calor que tornava tudo mais difícil. A paisagem monótona e sem grandes alterações também não ajudava muito. Apenas alguns barcos que iam passando animavam um pouco o momento, com acenos de turistas para caminheiros e vice-versa.
Mais uma ponte, donde alguns jovens mergulhavam para o
rio (Rio Côa) e onde sem dificuldade, devido ao bom estado do passadiço, atravessámos em direcção à estação de Côa.
Mais uma ruína do que foi outrora uma estação de comboios.
Decidimos que seria nesta estação que iríamos montar o acampamento.
Após um banho no Rio Côa, com alguns dos elementos mais arrojados do grupo a tomar banhos nas águas frescas deste rio, fomos montar as tendas e preparar o jantar.
Uma bela ideia do Amaral surgiu quando se lembrou de contactar o taxista que nos tinha levado a Barca d'Alva e solicitar que nos levasse duas grades de minis à estação de Côa. E assim foi, passados alguns minutos lá estava o Sr. Rui com duas grades de minis frescas e gelo para as manter nesse estado. Aqui tenho que salientar a simpatia de todas as pessoas com quem contactámos, quer na Pousada da Juventude, quer o pessoal dos táxis, sempre disponíveis para ajudar.
Não vou dizer quantas cervejas bebi porque nem eu sei, mas tirando os adeptos dos Ice-Tea (bem hajam) os outros "mataram" a sedinha toda.
O amigo Pina Jorge com a colaboração de outros elementos fizeram uma fogueira onde assaram umas chouriças e morcelas que complementaram a dieta de todos.
Chegou a noite e aos poucos, não antes de acabar com as bebidas espirituosas que alguns elementos transportaram, cada um recolheu à sua tenda.
Lá pelas 5h30 da manhã os primeiros elementos acordaram e saíram das tendas, acordando os restantes. Nem vos vou contar o que eu e o Amaral ouvimos de reclamações. Mas lá tiveram que sair das tendas.
Tudo continuava na mesma, silencioso e melancólico com o rio a correr lentamente, aparentando mesmo estar parado. Apenas uns canoístas solitários remavam ao fundo no rio quebrando a nossa solidão.
Passámos por uma ponte em pedra e por algumas casas abandonadas na via, tal como as anteriores em ruína.
O percurso começava a fazer as suas vítimas e alguns de nós aparentavam algumas dificuldades em manter o ritmo, com pés e articulações moídas pelas pedras do caminho.
O percurso aproximava-se do fim e finalmente chegávamos à estação do Pocinho.
Aqui refrescámos com uns cervejolas acompanhadas de umas sandes de presunto e paio e depois seguimos para a Pousada de Foz Côa onde tínhamos os carros.
Para terminar, uma bela refeição retemperou-nos as forças e fez-nos esquecer das bolhas e das dores da jornada realizada.












