Pedalando pelo GR28

A serra a arder perto do Merujal, 07 de Agosto de 2010.

Serra do Gerês

Caminhando entre Garranos, de 07 a 08 de Maio de 2005.

Serra de São Macário

Escalada na Pena, 15 de Setembro de 2013.

Serra da Estrela

I Travessia em autonomia total - Guarda - Loriga, de 12 a 16 de Abril de 2004.

Linha do Dão - Ponte de Nagoselas

Travessia BTT pelas Linhas do Dão e Vouga, de 09 a 11 de Abril de 2009.

Caminhos de Santiago

Travessia do Rio Lires no Caminho de Finisterra, de 29 a 31 de Julho de 2010.

Serra de Montemuro

Nas Minas de Moimenta, 29 de Janeiro de 2011.

Linha do Corgo - Ponte do Tanha

Travessia da Linha do Corgo, de 06 a 10 de Outubro de 2013.

Serra do Caramulo

Nas neves do Caramulo com vista para a Serra da Estrela, 04 de Dezembro de 2010.

Aldeias Históricas

De BTT em autonomia total pelo GR22, de 28 de Abril a 01 de Maio de 2006.

Serra da Arada - De Regoufe a Drave

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02/07/2012

De Regoufe a Covas do Monte por Drave

Partimos de Regoufe em direcção a Drave pelas 22h30 de Sábado passado. A noite estava um pouco fria mas, apesar das nuvens, o luar iluminava o caminho pelo que caminhámos muito tempo sem necessidade de ligar os frontais.

Depois da subida ao Alto de Regoufe entrámos pelo estradão que segue para Drave para constatarmos que o mesmo já foi aumentado umas dezenas de metros.

Não sabemos bem o que se pretende com este estradão mas deve ser mais uma das muitas ideias que iluminam estas brilhantes mentes que nos (des)governam.

Se calhar a ideia é fazer mais uma SCUT e meter portagens até a Drave para ajudar na recuperação da crise. O problema é que com isto vão acabar por destruir o belo trilho que liga estes dois lugares acabando de vez com um dos mais bonitos lugares desta serra e, quem sabe, do país.

Chegámos a Drave por volta da 00h30 onde, "guiados" por uma escuteira, montámos o acampamento.

Após a curta noite partimos pelas 07h40 em direcção ao Portal do Inferno.

O incêndio do ano passado limpou o muito mato que por lá havia o que nos permitiu caminhar sem problemas de maior até perto da cascata. Algumas mariolas mostraram-nos o ponto da saída da linha de água e subimos calmamente, mas com esforço, a íngreme encosta até à estrada.

A primeira parte do percurso estava feita mas ainda faltava a ida a Covas do Monte e o regresso a Regoufe, dado que o objectivo era procurar a ligação entre Regoufe e Covas do Monte.
Descemos pela linha de água que vai ter a Covas do Monte, num longo e bastante íngreme percurso com muito cascalho solto. A carga às costas e a inclinação do percurso em alguns pontos desgastaram-nos bastante.

Pelo caminho tivemos que dar passagem a um enorme rebanho de cabras que subia a serra.

Chegámos a Covas do Monte apenas para fotografar a aldeia, ou apenas a entrada desta, e regressámos ao Portal do Inferno.
A longa subida, apesar de ter sido percorrida em metade do tempo, abalou alguns dos elementos do grupo.

Continuámos a subir depois por estrada até ao planalto onde entrámos no trilho que nos leva ao Alto de Regoufe e daí até à povoação, onde chegámos 7h20 depois de termos partido de Drave.


07/08/2010

Aventura pelo GR28 - Maciço da Gralheira

Que grande aventura esta em que eu e o meu amigo Vicente nos metemos.
A ideia era fazer o Gr28 "Por Montes e Vales" que circunda o Maciço da Gralheira.
Sabemos que o percurso foi idealizado para ser efectuado a pé mas à nossa maneira decidimos percorrê-lo de bicicleta. E como se não bastasse empurrar a bike resolvemos também fazê-lo em autonomia levando as bicicletas carregadas com alforges contendo tudo o que nos era necessário durante a travessia.
Atendendo à distância que o Gr28 tem, mais de 80 Km, e à dificuldade que o mesmo oferece, achámos que apenas o fim-de-semana não seria suficiente para o realizar na íntegra pelo que optámos por o dividir em três etapas fazendo a primeira na sexta-feira à noite.
A divisão do percurso não era rígida excepto nesta parte nocturna em que pretendíamos chegar de Arouca ao parque de campismo do Merujal. No Sábado faríamos o maior número de Km's possível em direcção a Alvarenga, passando esta localidade, se possível, ficando o restante caminho até Arouca para o Domingo.
Na primeira noite iríamos aproveitar o "conforto" do parque de campismo e na segunda o "desconforto" da tenda no meio da serra.
E embora com um planeamento em cima da hora do qual resulta sempre em algumas falhas, lá iniciámos a travessia pelas 20 horas de sexta-feira, saindo da Câmara Municipal de Arouca em direcção ao Merujal.
Após encontrarmos as primeiras indicações do percurso, o que só conseguimos através da leitura da carta militar onde tínhamos traçado o percurso, percebemos que a tarefa que nos esperava ia ser mais difícil do que nos parecia inicialmente.
As subidas não tardaram e a falta de sinais em cruzamentos e entroncamentos também. A carga elevada nas bicicletas também dificultava, e de que maneira, nas subidas!
Fomos habituando o corpo ao esforço e em breve a maior preocupação, principalmente após escurecer, era a orientação.
A entrada por trilhos em zona de mata, com vegetação abundante e a escuridão que se verificava

em todos eles, aliada a uma deficiente marcação de algumas zonas do caminho foram-nos complicando a vida.
No entanto a determinação manteve-se forte funcionando muito bem o espírito de corpo nos momentos de maior dificuldade.
Em cada cruzamento duvidoso toda a zona era batida calmamente até encontrarmos o caminho certo e pouco a pouco os Km's iam sendo percorridos.
A passagem em Santa Maria do Monte marca o início das dificuldades quando após um cruzamento, por inexistência ou confusão devido à escuridão, perdemos as marcas do GR28 e passámos a seguir as marcas de um qualquer PR. Algum tempo depois desconfiámos que algo devia estar errado devido à diferença de cor nas marcações mas por motivos de segurança decidimos seguir as mesmas.
Passámos então por um lugar onde as ruas tinham uma inclinação elevada o que nos fez empurrar, com dificuldade, as bicicletas até

voltarmos a ficar num beco sem saída.
Nova batida à zona e lá descobrimos as marcações numa pequena ruela que nem tínhamos visto à passagem. Suponho agora que a povoação era Adafães dado que na aldeia seguinte verificamos que nos encontrávamos no PR4 e depois confirmámos, junto a umas pessoas que por lá estavam e com quem falámos em francês, que a aldeia se chamava Ameixieira.
Consultado o mapa verificámos que estávamos desviados da rota cerca de 3 Km's. Fizémos a ligação a Souto Redondo por estrada a fim de voltar ao Gr28.
Nessa altura deu-se outro episódio que viria a marcar a aventura que foi ver no cimo de um monte, ainda algo afastado mas na direcção do nosso destino, as labaredas iniciais de um incêndio.
Antes de partirmos de Arouca e dada a quantidade de fumo que se via no ar falámos com os bombeiros para apurar qual a situação dos incêndios na região. Ficámos então a saber que em Alvarenga havia um foco de incêndio mas no resto não se verificava qualquer problema. Agora deparávamo-nos com a possibilidade de pedalar de encontro a um e ainda por cima teríamos que atravessar toda uma zona de mato que, segundo relatos, poderia mesmo estar intransponível em determinadas passagens. Esse pensamento de podermos ser cercados pelo fogo em plena floresta a arrastar bicicletas criou alguma tensão.
Apercebi-me então que a distância a que este se encontrava, a altitude, a ausência de vento e a quase certeza que a vegetação no local seria rasteira e pouca nos daria muito tempo de fuga se tal fosse necessário e numa leitura rápida à carta militar entendi que estávamos no caminho correcto se a evolução do fogo, que mantinhamos à vista, fosse mais rápida que o previsto. Estabeleci assim mentalmente a saída de emergência e convenci o meu companheiro de que era esta a solução.
Pedalávamos então a caminho de Souto Redondo para retomar o GR28 e logo que lá chegámos seguimos para o objectivo seguinte, o lugar da Póvoa.
Nesta fase do percurso nenhum trilho facilitava a vida, subiam, subiam, uns com mato outros com pedras pelo que a evolução era lenta, dolorosa e cansativa.
Não sei que horas seriam quando chegámos à Póvoa mas deveriam ser muito perto da 23h.
O fogo, tal como eu tinha previsto mantinha-se longe e lento na sua evolução o que nos tranquilizou e nos fez continuar pelo GR escolhido.
Acabámos então por entrar na parte crítica do percurso. O trilho já é mau mesmo para caminhar quanto mais para empurrar bicicletas carregadas como as nossas.
O primeiro problema deu-se num cruzamento de caminhos em plena mata. Nem indicações para a esquerda nem para a direita. Fizémos um reconhecimento para ambos os lados e em nenhum aparecia qualquer marca. Marquei mentalmente o ponto de chegada, caso fosse necessário regressar à aldeia e evoluímos por um dos caminhos. Passadas umas dezenas largas de metros nada de marcações e mato cerrado. Numa picada ascendente na qual ainda fiz uns metros a pé também nada, mato cerrado e nada de marcas.
O meu frontal, com pilhas chinesas compradas pelo Vicente já se tinha apagado e dependia das luzes do Vicente e da minha lanterna da bicicleta reduzindo um pouco o meu campo de visão. A noite estava escura e o facto de nos encontrarmos no meio das árvores ainda tornava tudo mais escuro. O mato por vezes elevado dificultava o resto escondendo as marcas.
Resolvemos então regressar ao cruzamento para bater o outro caminho ou regressar à aldeia. Por sorte e já quase a chegar à bifurcação apercebi-me que à minha direita existia uma picada e bingo, lá estava uma marca escondida pelo mato.
Continuámos então a pedalar calmamente. Nesta fase ainda se podia pedalar e assim o fizémos por mais umas dezenas de metros até que tal deixou de ser possível.
Ia começar a fase mais desgastante de toda a etapa e nem imaginávamos o que nos esperava a partir daí.
Empurrando as bikes trilho acima chegámos ao primeiro ponto em que o caminho pareceu desaparecer. Mais uma batida ao lugar e percebi que o hipotético caminho em frente não nos levaria a lugar nenhum. Regressado junto do meu companheiro de aventura resolvi seguir por outra hipótese que me pareceu estar batida pelo calcar de caminheiros e efectuei uma boa centena de metros na esperança de finalmente chegar à estrada que leva à Mizarela.
Compreendi que a partir dali só com trabalho de equipa conseguiríamos subir as bicicletas, mas quanto a estrada nada.
Regressei novamente junto do Vicente e disse-lhe o que tinha obeservado e o trabalho que teríamos que fazer. E assim foi! Pegámos numa das bicicletas e a dois levámo-la por cima de pedras e troncos e mato umas dezenas de metros acima. Regressámos e levámos a outra. Fomos assim galgando metro a metro até mais uma vez encalharmos numa linha de água.
Estávamos estourados, a noite estava abafada, estava calor, suávamos muito e a grande quantidade de água que levávamos diminuia a olhos vistos.
A porcaria da linha de água que se nos deparava ameaçava a progressão e levantava, mais uma vez, o fantasma de termos que regressar à aldeia.
Nesta fase não sabíamos qual a evolução do incêndio e estávamos num posição muito complicada para qualquer fuga se a situação se complicasse. Nem o abandono das bicicletas e material garantiriam que sairíamos a tempo para a aldeia, dado que o trilho era complicado, e a orientação feita às escura poderia, em caso de precipitação, poder tornar-se bastante problemática.
Decidi deixar o Vicente a descansar e embrenhei-me pela linha de água para apurar da viabilidade de prosseguirmos o caminho. Percorridos apenas uns metros verifiquei que por ali era impossível fazê-lo.
Nessa fase a leitura da carta militar era muito difícil. Não sabíamos exactamente onde estávamos, o cansaço impedia a cabeça de pensar correctamente e a possibilidade de termos de regressar carregando as bicicletas picada abaixo abalavam a confiança.
No regresso da batida pela linha de água apercebi-me que à minha esquerda parecia que o mato estava pisado levando-me a suspeitar que poderia estar ali o ponto de passagem que precisávamos. Avisei o Vicente da intenção de bater a zona e embrenhei-me por aquele corredor verificando com alegria que era a solução do nosso problema. Decidi continuar mais um pouco e em breve o caminho alargava e o mato desaparecia e só parei quando encontrei o que me pareceu ser uma campa, com fotografia da vítima e data de nascimento e falecimento.
Convenhamos que naquela situação, à noite e num lugar como aquele não foi muito agradável a visão. No entanto o facto de ter encontrado o caminho de saída deixou-me bastante satisfeito e mais descansado.
Regressei junto do companheiro de aventuras e contei-lhe a novidade. Pude também constatar na carta militar qual era então a nossa posição correcta no terreno e perceber que já estávamos relativamente perto da estrada.
Carregámos as bicicletas para o caminho e passámos novamente a carregar cada um a sua. O caminho já permitia que o fizéssemos. Passámos na campa, que afinal parece ser apenas um memorial a uma vítima que terá falecido naquela zona em 1984.
Voltámos a pedalar por mais uns metros e depois o caminho, agora largo e limpo, segue em direcção à estrada mas com uma inclinação brutal. Extenuados lá fomos empurrando as bicicletas em busca da desaparecida estrada.
Cheirava a fumo e o ar estava pesado e quente. Pensei cá com os meus botões que era mesmo necessário chegar rapidamente à estrada para verificar qual a situação do incêndio e cerrei os dentes arrastando comigo o Vicente. Pouco depois chegávamos finalmente à maldita estrada.
Decidimos seguir pela estrada até ao parque de campismo e ignorar a subida à via Romana. Já chegava de tanto empurrar bicicletas e estava fora de hipótese voltarmos a meter-nos dentro da mata.
Na primeira curva que demos na estrada pudémos então ver as chamas que devoravam a serra lá para os lados do parque de campismo. Surgiu a dúvida de seguirmos nessa direcção ou descermos para Arouca e darmos por finalizada a actividade.
Em conversa com pessoal que descia a serra ficámos a saber que o fogo estava perto do nosso destino mas que os bombeiros já lá tinham um efectivo para combate ao fogo. Continuámos na direcção do parque e ao chegar à Srª da Laje pudémos então verificar que a contra-encosta do parque ardia numa frente bastante larga e todo o aparato de carros do bombeiros, GNR, mirones, aldeãos. A estrada de acesso ao parque estava cortada pelo que tivémos que entrar na aldeia do Merujal e entrar no parque pela estrada que vem da Mizarela. Chegámos pelas 2 horas da manhã após 6 horas de luta pelo mato dos trilhos.
A preocupação estava estampada no rosto de todos aqueles que já se tinham apercebido que o fogo se aproximava do parque.
Fomos para o bugalow onde descansámos um bocado, mas depois fomos ver a evolução do fogo.
E fomos assistindo ao aproximar

das chamas e ao combate levado a cabo pelos bombeiros que acabaram por fazer contra-fogo e assim evitaram que as chamas evoluissem no sentido do parque.
Eram 6 horas quando finalmente nos deitámos para dormir e 9 quando nos levantámos. Os aviões Canadair voavam sobre o parque a caminho dos diversos fogos que assolavam a serra.
Decidimos que as condições de segurança para a continuação da travessia não estavam reunidas e que aventurarmo-nos numa serra a arder e dormir algures no monte sujeitos a esse flagelo não era muito inteligente.
Regressámos a Arouca pela estrada e acabámos em Chão d'Ave a recuperar do esforço da noite anterior.
Esperamos continuar o Gr28 logo que tal seja possível, fazendo as duas etapas que faltam.

06/09/2009

Marcha de Montanha na Serra da Estrela

O Pina Jorge desafiou-nos para mais uma Marcha em autonomia na Serra da Estrela e para além dos habituais tivémos a presença de outros amigos que já não marchavam connosco à algum tempo e uma estreia no grupo.
Assim estiveram presentes nesta actividade o Pina Jorge, Calé, Cardoso, Vicente, Rui, Borges, Marcelino, Amaral, DJ, Zé Carlos (de regresso a estas andanças) e o Hugo (em estreia com este grupo no que diz respeito a Marchas, uma vez que já esteve connosco numa BTT). Assim à partida batiamos todos os records no número de presenças numa marcha em autonomia.

Dia 0 (Sexta-feira 4/Set)
Partimos cerca das 20 horas em direcção à Pousada da Juventude das Penhas da Saúde. De Aveiro sairam o Calé, DJ, Vicente, Cardoso e Zé Carlos e do Porto/Ovar o Rui, Borges, Amaral e Hugo.
Por essa hora já o Pina Jorge estava pela serra a "espreitar" os pontos chave da nossa marcha.
Os aveirenses ao chegar ao Sabugueiro aproveitaram para comer umas sandes de queijo da serra e presunto, regado com cerveja ou tinto e finalizado com umas ginjinhas e aguardente de zimbro.
Já no final do repasto chegaram os homens do "Nuorte carago" e juntaram-se a nós na ginjinha.
Seguimos depois para a pousada onde o Pina Jorge nos aguardava, na companhia da esposa e do filho que gentilmente se deslocara à serra para nos apoiar no início da actividade.
Depois de tratadas as formalidades na pousada o Pina Jorge passou ao briefing da actividade onde falámos sobre o que iriamos fazer no dia seguinte.
Após este esclarecimento e já elucidados sobre o que nos esperava fomo-nos deitar na camarata de 10 camas que nos aguardava (bom alguns vadios ainda foram ver a noite da serra).

Dia 1 (Sábado 05/Set)
Alvorada às 6 horas, e às 7h00 partimos em direcção ao Covão d'Ametade, local de início da actividade. Aqui foi importante o apoio do filho do Pina Jorge que levou o pessoal ao local, poupando-nos uns Km's de caminhada pelo alcatrão.
Reunido o grupo partimos serra acima, primeiro em direcção à parede dos fantasmas e depois embrenhando-nos na serra a caminho da Lagoa da Paixão.
Ao chegarmos ao Ribeiro da Candeira o Borges decidiu pregar-nos um susto com uma queda que nos deixou apreensivos. Felizmente não se confirmou a entorse que temíamos.
Depois de algum descanso naquele prado, avançámos para a longa subida que nos levaria à lagoa.
O grupo demonstrou estar bem preparado e pelas 11h30 chegou à dita lagoa. Devido ao facto de lá termos chegado cedo, decidimos almoçar e descansar até às 13 horas.
Tinhamos previsto a possibilidade de estabelecer o acampamento nesta lagoa, se lá chegássemos tarde ou cansados, mas como o grupo chegou rápido e fresco partimos para o segundo ponto previsto, a lagoa das Salgadeiras.
Mais uma vez o grupo se portou bem e pelas 14h30 chegávamos ao local pretendido. Ainda se levantou a hipótese de nos aproximarmos da torre e acampar mais perto desta, mas pessoalmente acho que imperou o bom senso e cumprimos o que estava previsto.
Montámos o acampamento cedo e fomos espreitar a lagoa. Os primeiros a lá chegar logo mergulharam e nadaram nas suas águas frescas, sendo imitados, logo de seguida, pelos restantes elementos do grupo.
Depois fomos preparar o jantar, comer e contar as velhas histórias.
Bem cedo ainda nos deitámos e passámos umas longas horas deitados nas tendas, a descansar o corpo moído da marcha e das mochilas pesadas.

Dia 2 (Domingo 06/Set)
Alvorada às 6 horas, mas atendendo a que ainda era noite todos aproveitámos para ficar mais uns minutos nas tendas. Depois de preguiçar mais um pouco lá começámos, um-a-um, a sair das tocas e a começar a preparar as coisas para mais um dia de marcha.
Partimos assim em direcção à Torre e antes de lá chegar desviámos em direcção à estrada que se dirije à Covilhã.
Começava aqui a parte da aventura que se prendia com a descida para a barragem do Covão do Ferro.
Os penhascos que caracterizam aquela zona não deixavam antever qualquer facilidade e todos se sentiam um pouco apreensivos com as dificuldades que se adivinhavam.
Prevendo uma descida complicada três dos elementos, que apresentavam algumas dificuldades a nível dos joelhos decidiram, e bem, seguir pela estrada em direcção à pousada enquanto os outros oito aventureiros iniciaram a descida.
E que descida! Sob a batuta do mestre Pina Jorge, fomos descendo de rocha em rocha, escalando e destrepando passo-a-passo, pendurados nas ervas e nas raízes, pulando por cimas de buracos, passando por entre fendas das rochas e num verdadeiro trabalho de equipa, lá fomos passando e descendo os montanheiros e as suas enormes e pesadas mochilas, patamar em patamar.
Os restante montanheiros aguardavam, também eles apreensivos, que o grupo reaparecesse por detrás das massas rochosas que envolvem a linha de água. Mais de uma hora depois lá nos viram aparecer a todos, sãos e salvos, e lá respiraram de alívio. No entanto apesar da parte mais difícil e perigosa estar ultrapassada ainda não tínhamos chegado à barragem e ainda tinhamos algumas dificuldades pela frente.
Felizmente a calma, o trabalho de equipa e a mestria do mestre Pina Jorge, levou-nos para baixo
sem qualquer problema.
Já na barragem, descemos à estrada e aproveitámos para encher os cantis numa das casas que por lá existem, onde fomos muito bem recebidos e onde ainda conversámos um pouco sobre a actividade e outras possibilidades interessantes.
Entretanto o outro grupo tentava chegar à pousada para trazer os carros e recolher-nos.
Subimos então até à estrada que vem da torre onde o Zé Carlos nos aguardava com várias garrafas de água recolhida numa fonte. O Dj e o Borges tinham seguido a pé até à pousada.
Ficámos então à espera que eles regressassem com as viaturas. O Rui conseguiu também uma boleia até à Pousada.
Neste espaço de tempo pudémos fazer a boa acção do dia. Na casa onde abastecemos os cantis vive um cãozito que fugiu da mesma para perseguir o carro dos donos, acabando por vir ter connosco cá acima à estrada. Prendemos o cão e quando chegaram os carros fomos devolvê-lo aos donos levando-o a casa.
Após os carros chegarem fomos todos até à pousada onde tomámos um delicioso banho.
Acabada a actividade estava na hora do convívio gastronómico que nos é habitual. O lugar escolhido foi o Restaurante "O Camelo", onde comemos umas doses de cabritinho, bem regado com várias "Casas de Santar" e finalizado com uma aguardente de Zimbro.
Foi uma boa actividade, com todos os ingredientes que gostamos, boa camaradagem, espírito de grupo e que esperamos repetir, noutro qualquer lugar em breve.

11/04/2009

Travessia em BTT nas Vias férreas do Dão e Vouga


Mais uma excelente actividade, onde não faltaram excelentes momentos de convívio, de belas paisagens e de trilhos para todos os gostos.
Terminou assim em grande a Travessia em BTT das extintas vias férreas do Dão e Vouga.
Aproveito aqui para agradecer o apoio prestado pelo Clube de Caça e Pesca do Rio Pavia (Parada de Gonta) pelo apoio prestado na pernoita do primeiro dia.

Esta aventura será depois inserida na página referente à BTT nas vias férreas extintas, com os mapas do trajecto, etc...


07/04/2008

Marcha de Montanha - Trilho dos Incas


O Trilho dos Incas é para mim um dos mais bonitos trilhos da Serra da Freita. Longo, duro, bonito, tem de tudo o que se pode querer numa actividade de Montanhismo.
Eram 9 horas de Sábado e o grupo de 5 elementos (Calé, Vicente, Cardoso, Amaral e Rui) lá se encontrou em Arouca para a realização de uma marcha de dois dias. Seguimos então até à Póvoa das Leiras onde, após os últimos retoques nas mochilas, lá partimos em direcção ao dito trilho.
O dia estava fantástico, ensolarado e nesta fase com uma temperatura amena.
Pouco tempo depois já percorriamos a parte que dá nome ao trilho, por ter algumas parecenças, salvo as devidas proporções, ao famoso Inca Trail.
Chegados à Serra da Ribeira o horizonte alargou-se e começou-se a desfrutar de uma paisagem magnífica.
Infelizmente a "praga" das eólicas, postes e cabos de alta tensão também já invadiram este paraíso, mas nem quero comentar isso.
Caminhámos então ao longo da serra em direcção à aldeia de Covelo de Paivô, que se dislumbrava ao longe e lá em baixo.
A descida massacrava-nos as pernas. Também o peso das mochilas já se fazia sentir nos ombros e costas. Uma paragem para comer e beber qualquer coisa deu para descontrair enquanto observávamos o rio que corria ao fundo, com inúmeras cascatas e poços excelentes para dar um mergulho.
Finalmente a descida acabou e atravessámos o rio Paivô, começando então a subida até ao trilho que liga à aldeia de Regoufe. Agora era o calor que nos castigava e o Sol mordia-nos as carnes, enquanto subiamos penosamente por caminhos nem sempre muito bons.
A paisagem continuava a ser deslumbrante, acompanhando primeiro o Rio Paivô e depois a ribeira de Regoufe. Uma nova paragem à sombra de um velho castanheiro ajudou a refrescar um pouco e logo a seguir chegámos a Regoufe. Aí fomos logo à tasca beber umas cervejinhas bem frescas e descansar um pouco.
Depois reabastecemos de água e subimos até ao alto de Regoufe e descemos para o Pego, local previsto para o acampamento.
Mais um trilho de paisagem maravilhosa este que nos leva ao rio. A passagem na já decadente e pouco segura ponte de madeira animou a festa.
Já na chegada ao local do acampamento, talvez pelo cansaço das horas de marcha, pela carga que transportava e pelo calor o Vicente escorregou e para azar tem uma entorce no pé direito. Esta situação, atendendo ao local em que estávamos poderia ter tido contornos bem mais desagradáveis.
Com mais um esforço lá chegámos ao rio e ele aproveitou para colocar o pé na água fria a fim de minimizar o inchaço que já alastrava pelo tornozelo.
Aproveitámos para nos resfrescar nas águas geladas e apenas o Cardoso conseguiu dar um mergulho. Frescos e mais descansados montámos o acampamento e fomos preparar o jantar, que o dia tinha sido desgastante e a alimentação escassa.
Aqui vem a parte maravilhosa dos dotes culinários deste pessoal. O Amaral preparou uma punheta de bacalhau com alho, cebola e até azeitonas, O Cardoso esparguete à milanesa, eu arroz com carne de búfalo seca. No final o Vicente apresentou uma bela e saborosa manga e o Cardoso ainda fez arroz doce (é verdade com canela e tudo). Até parecia que estávamos num belo restaurante).
Um pouco de conversa e estava na hora do descanso.
Depois de uma noite mal dormida, como todas as que passo em tendas lá chegou a hora da alvorada.
Devido ao problema com o pé do Vicente resolvemos que ele voltaria para trás até Regoufe acompanhado pelo Cardoso e pelo Rui enquanto eu e o Amaral subiriamos em direcção à Póvoa das Leiras para recuperar o carro.
Como a nossa parte era a mais "dura", aliviámos carga para os dois "acompanhantes" e partimos deixando-os a desmontar o acampamento.
Depois de tentarmos a passagem por um velho trilho, e de verificármos que o mato não nos ia facilitar a vida, decidimos voltar atrás e abordar a subida à bruta. E assim foi, com um desnível bem acentuado fomos galgando terreno, não sem parar umas quantas vezes para respirar e acalmar o coração que galopava nos peitos. Depois de encharcar bem as camisolas lá subimos a serra, de patamar em patamar, até ao alto da cota.
Enquanto subiamos iamos observando, do outro lado da encosta, o trio a evoluir lentamente trilho acima até ao alto de Regoufe.
Quando finalmente chegámos à Póvoa das Leiras, bebemos mais uma cervejinha no café e partimos em direcção a Regoufe, via Portal do inferno (lugar lindo com os seus penhascos) a recuperar os restantes elementos.
Já em Arouca juntaram-se a nós a minha família e o Amaral retirou-se para uma feijoada que o esperava em casa (que pena que temos dele... :) )
No final, e como sempre, acabámos a comer um belo cozido à portuguesa e uns saborosos nacos de carne arouquesa com feijão, obviamente bem regados.
Cansados, doridos e empenados mas bem satisfeitos e já com vontade de preparar outra para breve.


Fotos da marcha

Video 1º dia:



Video 2º dia: